EUA de Trump anunciam ‘NATO 3.0’: o que é esta nova fase da aliança que impõe mais responsabilidade à Europa?

Secretário-geral da NATO, Mark Rutte, reforçou a mensagem, defendendo que a Europa e o Canadá precisam de aumentar significativamente as despesas e a produção industrial de defesa. Segundo o ‘El Mundo’

Francisco Laranjeira

A NATO entrou numa nova etapa estratégica, descrita como “NATO 3.0”, numa mudança impulsionada pelos Estados Unidos, o país com maior influência na Aliança. Segundo o ‘El Mundo’, foi o próprio subsecretário da Defesa americano, Elbridge Colby, a anunciar esta nova fase, defendendo uma organização “baseada na parceria e não na dependência” e um regresso ao que considera ser a essência original da NATO.

Antes da reunião dos ministros da Defesa da Aliança, em Bruxelas, Colby sublinhou que esta reformulação passa por um maior protagonismo europeu na defesa convencional. O responsável afirmou que, sob a liderança do presidente americano, a NATO vive um “repensar real e genuíno”, que implica que a Europa assuma a liderança na sua própria defesa, algo que descreveu como um regresso à “NATO 1.0”.



Na prática, esta nova fase significa concentrar esforços na defesa do território aliado, com a Rússia como principal foco de preocupação, reduzindo ao mínimo as missões fora das fronteiras da Aliança. Washington pretende uma NATO menos dependente do apoio direto americano e mais centrada numa partilha equilibrada de responsabilidades.

A presença de Elbridge Colby em Bruxelas, em vez do secretário da Defesa, Pete Hegseth, foi interpretada por alguns como sinal de menor envolvimento direto dos Estados Unidos. Outros, porém, consideram que a participação do subsecretário — figura-chave na Estratégia de Defesa Nacional da administração Trump — demonstra precisamente a importância estratégica do momento.

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, reforçou a mensagem, defendendo que a Europa e o Canadá precisam de aumentar significativamente as despesas e a produção industrial de defesa. Segundo o ‘El Mundo’, Rutte reconheceu que os Estados Unidos continuam comprometidos com a Aliança, mas lembrou que Washington tem também de gerir desafios no Indo-Pacífico, tornando essencial que os aliados europeus assumam maior responsabilidade.

O líder da NATO destacou ainda o aumento do investimento alemão em defesa, referindo que a Alemanha prevê gastar 152 mil milhões de euros em 2029, mais 52 mil milhões de euros do que anteriormente e o dobro do montante aplicado em 2021, sinal de que a mudança já está em curso.

Para Rutte, a prioridade estratégica é clara: garantir que os Estados Unidos permanecem firmemente integrados na NATO. O secretário-geral tem reiterado que, sem o apoio americano, a Europa não estaria preparada para assegurar sozinha a sua defesa.

Com a entrada na chamada “NATO 3.0”, a Aliança Atlântica enfrenta assim uma redefinição do equilíbrio interno, marcada por maior pressão financeira sobre os aliados europeus e por uma tentativa de regressar às raízes fundacionais da organização, num contexto geopolítico cada vez mais exigente.

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