A indústria automóvel tem quatro anos para eliminar dos automóveis vendidos nos Estados Unidos os componentes eletrónicos considerados sensíveis de origem chinesa. Caso contrário, alguns modelos poderão ficar impedidos de entrar no mercado americano.
A exigência resulta de regras aprovadas durante a administração de Joe Biden e mantidas por Donald Trump por motivos de segurança nacional, lembrou o site especializado ‘L’Automobile Magazine’. O objetivo é reduzir a dependência tecnológica da China e impedir que software e hardware chineses possam ser utilizados para recolher dados ou realizar ações de espionagem.
As novas regras proíbem a utilização de software chinês ligado à conectividade dos veículos a partir dos modelos de 2027. Já os componentes eletrónicos, como chips, controladores e módulos de comunicação, terão de ser substituídos até 2030.
Uma tarefa muito mais difícil do que parece
É precisamente a substituição do hardware que está a causar maior preocupação entre os fabricantes.
Durante décadas, a indústria automóvel integrou componentes fornecidos por empresas chinesas ou produzidos sob tecnologia chinesa, pelo que encontrar alternativas em apenas quatro anos está longe de ser simples.
Além de identificarem novos fornecedores, as marcas terão de garantir que estes conseguem produzir os volumes necessários e cumprir os rigorosos calendários da indústria automóvel.
Até os novos fornecedores dependiam… da China
A nova legislação está, contudo, a abrir oportunidades para empresas americanas.
É o caso da Eagle Wireless, criada no final de 2025, perto de Cleveland, para fabricar módulos eletrónicos utilizados na conectividade dos veículos.
O problema é que a própria empresa produzia até agora componentes… sob licença chinesa.
Esse detalhe ilustra o grau de dependência da indústria automóvel em relação à tecnologia chinesa e significa que muitos fornecedores terão de desenvolver novas gerações de produtos praticamente do zero.
Custos mais elevados e poucos fornecedores
A substituição destes componentes também terá impacto nos custos de produção.
Segundo especialistas citados pela ‘Reuters’, as alternativas fora da China podem ser entre 5% e 15% mais caras, obrigando os fabricantes a reverem os seus programas industriais.
Ao mesmo tempo, a oferta continua limitada. As empresas chinesas controlam cerca de metade do mercado mundial de controladores para dispositivos ligados à Internet (IoT), componentes fundamentais para funções como atualizações remotas, comunicações, navegação e troca de dados dos automóveis.
Há marcas que já enfrentam problemas
O risco de não cumprir as novas regras é elevado: determinados modelos poderão deixar de ser comercializados nos Estados Unidos.
A Polestar já confirmou que não recorrerá da decisão que impede um dos seus modelos de entrar no mercado americano. Também a Mercedes surge entre as marcas afetadas pelo reforço das regras, devido à utilização de componentes ou ligações industriais associadas à China.
Pequim já reagiu, apelando aos Estados Unidos para que respeitem “as leis da economia de mercado e os princípios da concorrência leal”. Ainda assim, Washington mantém a estratégia de reduzir a influência chinesa nas cadeias de abastecimento da indústria automóvel, numa mudança que poderá obrigar praticamente todos os fabricantes a redesenhar parte da eletrónica dos seus veículos.














