Um novo estudo realizado no Reino Unido revela que cerca de três quartos (72%) dos bebés de nove meses em Inglaterra têm contacto diário com ecrãs.
De acordo com o Daily Mail, o estudo do Education Policy Institute (EPI) mostra ainda que, embora a grande maioria apresente um consumo moderado, um pequeno grupo de “utilização intensiva”, cerca de 2%, passa mais de três horas por dia em frente a dispositivos digitais.
Estima-se que estas crianças são significativamente menos propensas a experimentar regularmente coisas como fazer viagens ao ar livre, ler ou cantar.
A investigação, que analisou dados de 8.000 famílias no âmbito do projeto “Children of tha 2020s”, calculou que o tempo médio de exposição nesta faixa etária é de 41 minutos diários.
A diretora dos “primeiros anos, desigualdade e bem-estar” no EPI, Tammy Campbell, defende que em vez de “demonizar” o uso da tecnologia, o debate deve evoluir.
“Uma grande parte da conversa precisa de passar do ‘quanto’ para o ‘quê’ e o ‘porquê’. Trata-se de perceber como e quando um ecrã é usado para brincadeiras interativas partilhadas ou para visualização passiva”, contou a investigadora.
Tammy Campbell sugere que as orientações governamentais devem apoiar os pais na utilização de ferramentas digitais que possam, inclusive, potenciar o desenvolvimento e o vínculo afetivo.
Além disso, os investigadores cruzaram os dados de utilização com diferentes contextos familiares e chegaram a conclusões que desafiam alguns preconceitos.
Não foram encontradas diferenças significativas no tempo de ecrã com base no nível de rendimento ou educação dos pais. Por outro lado, quanto mais irmãos um bebé tem, menor é a probabilidade de utilizar ecrãs.
O Departamento de Educação do Reino Unido prepara-se para publicar as primeiras diretrizes oficiais sobre o uso de ecrãs para crianças menores de cinco anos. A Comissária para a Infância em Inglaterra, Rachel de Souza, reconhece que os pais enfrentam um desafio crescente num mundo digitalizado e que as novas orientações pretendem ser “claras, práticas e isentas de julgamentos”.
O objetivo do governo é oferecer confiança às famílias para gerirem o equilíbrio entre a tecnologia e a vida quotidiana, baseando-se em evidências científicas e na experiência real das famílias.





