Estudo revela que maioria dos bebés de nove meses utiliza ecrãs diariamente

Investigação do Education Policy Institute indica que o tempo médio de exposição é de 41 minutos, mas especialistas sugerem que o foco deve mudar de quantidade para a qualidade do conteúdo.

Patrícia Moura Pinto

Um novo estudo realizado no Reino Unido revela que cerca de três quartos (72%) dos bebés de nove meses em Inglaterra têm contacto diário com ecrãs.

De acordo com o Daily Mail, o estudo do Education Policy Institute (EPI) mostra ainda que, embora a grande maioria apresente um consumo moderado, um pequeno grupo de “utilização intensiva”, cerca de 2%, passa mais de três horas por dia em frente a dispositivos digitais.

Estima-se que estas crianças são significativamente menos propensas a experimentar regularmente coisas como fazer viagens ao ar livre, ler ou cantar.

A investigação, que analisou dados de 8.000 famílias no âmbito do projeto “Children of tha 2020s”, calculou que o tempo médio de exposição nesta faixa etária é de 41 minutos diários.

A diretora dos “primeiros anos, desigualdade e bem-estar” no EPI, Tammy Campbell, defende que em vez de “demonizar” o uso da tecnologia, o debate deve evoluir.

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“Uma grande parte da conversa precisa de passar do ‘quanto’ para o ‘quê’ e o ‘porquê’. Trata-se de perceber como e quando um ecrã é usado para brincadeiras interativas partilhadas ou para visualização passiva”, contou a investigadora.

Tammy Campbell sugere que as orientações governamentais devem apoiar os pais na utilização de ferramentas digitais que possam, inclusive, potenciar o desenvolvimento e o vínculo afetivo.

Além disso, os investigadores cruzaram os dados de utilização com diferentes contextos familiares e chegaram a conclusões que desafiam alguns preconceitos.

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Não foram encontradas diferenças significativas no tempo de ecrã com base no nível de rendimento ou educação dos pais. Por outro lado, quanto mais irmãos um bebé tem, menor é a probabilidade de utilizar ecrãs.

O Departamento de Educação do Reino Unido prepara-se para publicar as primeiras diretrizes oficiais sobre o uso de ecrãs para crianças menores de cinco anos. A Comissária para a Infância em Inglaterra, Rachel de Souza, reconhece que os pais enfrentam um desafio crescente num mundo digitalizado e que as novas orientações pretendem ser “claras, práticas e isentas de julgamentos”.

O objetivo do governo é oferecer confiança às famílias para gerirem o equilíbrio entre a tecnologia e a vida quotidiana, baseando-se em evidências científicas e na experiência real das famílias.

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