Estudo revela que a Península Ibérica gira no sentido dos ponteiros do relógio

Um estudo recente realizado por investigadores do grupo HGI da Universidade do País Basco, Euskal Herriko Unibertsitatea (EHU), revelou um comportamento inusitado na crosta terrestre da península ibérica.

Pedro Zagacho Gonçalves

Um estudo recente realizado por investigadores do grupo HGI da Universidade do País Basco, Euskal Herriko Unibertsitatea (EHU), revelou um comportamento inusitado na crosta terrestre da península ibérica. A equipa, que se dedica ao estudo de processos de compressão e deformação tectónica no Mediterrâneo ocidental, constatou que a região gira lentamente no sentido dos ponteiros do relógio.

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A península ibérica é uma das zonas mais complexas do ponto de vista tectónico, devido à fronteira difusa entre a placa euroasiática e a placa africana. Com base em dados sísmicos recentes e observações por satélite de alta precisão, os investigadores verificaram que o giro da crosta terrestre ocorre a uma velocidade anual de 4 a 6 milímetros, um ritmo relativamente regular quando comparado com outras regiões do globo, onde os movimentos são mais irregulares.

Segundo Asier Madarieta, investigador líder do estudo, “a interação prolongada entre a placa euroasiática e a placa africana é responsável por este movimento contínuo da península ibérica”. O fenómeno foi detalhado numa publicação na Science Direct, que sublinha a importância destes dados para compreender melhor a dinâmica tectónica da região.

Uma região em particular, conhecida como domínio de Alborán, desempenha um papel fundamental neste processo. Esta área funciona como uma fronteira e amortecedor tectónico entre África e a Eurásia, tendo permitido a formação do arco de Gibraltar. Através do estudo de registos sísmicos de várias décadas, os investigadores observaram os movimentos provocados por terramotos e integraram essas informações com dados de satélite, confirmando o giro no sentido horário da península.

Para além do descobrimento do movimento da península, o estudo permite identificar falhas ativas, ou seja, estruturas geológicas capazes de gerar terramotos. Esta informação é crucial para compreender o risco sísmico na região e pode servir como base para futuras políticas de prevenção e mitigação de desastres naturais.

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O estudo reforça a compreensão da complexa interação entre placas tectónicas no Mediterrâneo ocidental, destacando a península ibérica como uma área de interesse estratégico para geólogos e sismólogos. Os resultados fornecem dados valiosos sobre os padrões de deformação da crosta terrestre e sobre a forma como as placas interagem ao longo do tempo.

Os investigadores planeiam continuar a monitorizar os movimentos da península ibérica e do domínio de Alborán, utilizando dados de satélite e registos sísmicos contínuos. Estes dados permitirão antecipar melhor a atividade sísmica, identificar novas falhas ativas e contribuir para o estudo global da geodinâmica da região.

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