O aumento significativo no transporte marítimo no Atlântico nordeste motivou o alerta dos cientistas da Universidade de Portsmouth, do Reino Unido: é necessário uma monitorização adicional na região para ajudar a conservar as criaturas marinhas na lista de ameaçadas de extinção, segundo apontou um estudo dos investigadores, que revelou que as taxas de transporte na região aumentaram 34% durante um período de cinco anos.
A taxa de aumento do transporte marítimo nas Áreas Marinhas Protegidas é muito mais óbvia e os especialistas estão preocupados – a análise dos movimentos das embarcações nessas zonas sensíveis indicou um aumento de 73% no mesmo intervalo de tempo. O artigo, publicado no ‘Marine Pollution Bulletin’, é o primeiro exame abrangente das atividades marítimas no Atlântico nordeste, depois de terem sido recolhidos dados de aproximadamente 530 milhões de localizações de navios recolhidos por Sistemas de Identificação Automática (AIS).
A região de pesquisa incluiu águas ao redor da Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Islândia, Irlanda, Holanda, Noruega, Portugal, Espanha e Reino Unido. De acordo com James Robbins, do Instituto de Ciências Marinhas da Universidade de Portsmouth, espera-se que essa mudança aumente a pressão sobre o ecossistema marinho, o que pode ter repercussões na manutenção de espécies expostas e em risco. “É necessário um esforço de monitoramento renovado para verificar se as medidas de proteção são suficientes para conservar espécies ameaçadas num ambiente em mudança com uma pegada humana crescente. Esse aumento do tráfego em áreas marinhas protegidas pode ter consequências para as espécies que essas áreas devem conservar”, precisou o especialista.
O transporte marítimo pode ter uma ampla gama de efeitos no ambiente marítimo, com alguns dos problemas mais graves relacionados à disseminação de espécies não indígenas, poluição sonora, química e atmosférica, colisões com animais e lixo marinho. O transporte marítimo foi identificado como um possível modo de migração inadvertida para mais de metade das espécies não indígenas presentes nos mares europeus. Uma vez introduzidas, as espécies podem estabelecer-se e tornar-se invasoras, causando estragos nos ecossistemas em que se infiltram. A Convenção sobre Diversidade Biológica identificou as espécies invasoras como uma das mais sérias ameaças à biodiversidade mundial.












