O número de pessoas recuperadas a nível mundial ultrapassa já os 7 milhões, mas testar negativo algum tempo depois de ter sido infectado não será garantia de imunidade eterna. Um estudo realizado pela King’s College London mostra que a imunidade poderá durar apenas alguns meses, segundo adianta o jornal The Guardian. Isto significa que quem já foi infectado poderá voltar a sê-lo – tal como acontece com as gripes mais comuns.
«As pessoas estão a produzir uma resposta de anticorpos razoável, mas desvanece após um curto período de tempo», sublinha Katie Doores, autora do estudo – que tem por base uma amostra de mais de 90 doentes e profissionais de saúde no Guy’s and St Thomas’ NHS Foundation Trust, no Reino Unido.
O que os cientistas descobriram é que os níveis de anticorpos capazes de destruir o vírus atingem um pico cerca de três semanas depois dos primeiros sintomas surgirem, seguindo-se um declínio progressivo da sua eficácia. Análises ao sangue revelam que apenas 17% dos doentes manteve o mesmo nível de potência três meses depois.
Os resultados obtidos poderão influenciar o desenvolvimento de uma vacina, alerta a mesma publicação, bem como as estratégias de imunidade de grupo. Caso os anticorpos sejam a principal arma, as soluções criadas poderão não ser eficazes: «Se a infecção oferece níveis de anticorpos que desvanecem em dois ou três meses, a vacina irá potencialmente fazer o mesmo», afirma Katie Doores. Se assim for, poderá ser necessário um reforço da vacina periodicamente.
Quanto à gravidade de uma segunda infecção, Arne Akbar, imunologista na University College London, aponta para sintomas mais suaves. As expectativas são de uma nova infecção menos severa, uma vez que a memória imunitária permitirá responder mais rapidamente ao vírus. Contudo, há que ter em atenção que continuarão a ser uma fonte de contágio, pelo que deverão ser tidos os mesmos cuidados.




