Estudo do ACP revela viragem histórica: Portugal acelera rumo aos carros elétricos

Elétricos já estão presentes nas escolhas dos condutores, despertam interesse crescente e começam a consolidar-se como alternativa real ao motor de combustão

Automonitor

Durante anos, os carros elétricos foram vistos como uma promessa distante no mercado automóvel português. Em 2026, essa perceção começa finalmente a mudar. Um novo estudo do Automóvel Club de Portugal (ACP) mostra que a mobilidade elétrica entrou numa fase de aceleração clara: os elétricos já estão presentes nas escolhas dos condutores, despertam interesse crescente e começam a consolidar-se como alternativa real ao motor de combustão.

O retrato traçado pelo ACP revela um mercado em transformação. A presença de veículos eletrificados aumenta, mais portugueses admitem trocar de carro nos próximos anos e o interesse por modelos elétricos ou híbridos já representa metade das preferências de compra. Ao mesmo tempo, novas marcas ganham protagonismo e o mercado de elétricos usados começa a emergir.

Ainda assim, a transição não é linear. O preço, a autonomia e a infraestrutura de carregamento continuam a ser os principais obstáculos à massificação da mobilidade elétrica.

Sete conclusões do estudo do ACP sobre os carros elétricos em Portugal

1. Os elétricos estão a crescer rapidamente nas estradas portuguesas

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A penetração de veículos elétricos já chega a 9% dos condutores, um crescimento de 5,5 pontos percentuais face a 2025. Este salto indica que a mobilidade elétrica começa a sair do nicho de mercado e a entrar na fase de adoção mais ampla.

2. Quase metade dos portugueses admite trocar de carro

Cerca de 49% dos condutores dizem considerar substituir o automóvel nos próximos um a cinco anos, um aumento de 25 pontos percentuais face ao ano anterior. Entre estes potenciais compradores, os veículos com componente elétrica já representam cerca de metade das preferências.

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3. Mais de metade considera comprar um carro 100% elétrico

A predisposição para adquirir um veículo totalmente elétrico subiu para 55%, mais 22 pontos percentuais do que em 2025. As razões mais apontadas são a preocupação ambiental, os custos de utilização mais baixos e a expectativa de melhorias tecnológicas.

4. O mercado de elétricos usados começa a ganhar forma

Os veículos elétricos em segunda mão começam a surgir como alternativa. Cerca de 37% dos condutores dizem considerar provável comprar um elétrico usado, sobretudo devido ao preço mais acessível. Persistem, contudo, dúvidas sobre a durabilidade das baterias.

5. A nova geração de marcas começa a mudar o mercado

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Entre os proprietários de veículos eletrificados, Tesla e BMW continuam a liderar. Mas o estudo mostra uma mudança simbólica: a chinesa BYD já ultrapassou a Tesla como “marca de sonho”, sobretudo entre os condutores mais jovens.

6. Carregar o carro está a tornar-se mais fácil

A grande maioria dos proprietários carrega o carro em casa, e mais de nove em cada dez também utilizam postos públicos. As aplicações digitais para localizar ou pagar carregamentos estão cada vez mais presentes, com cerca de quatro em cada dez utilizadores a recorrer a estas ferramentas.

7. Preço e infraestrutura continuam a ser os maiores travões

Apesar do crescimento do interesse, a expansão dos elétricos enfrenta obstáculos importantes. O preço inicial elevado, a autonomia percecionada como limitada, o tempo de carregamento e a rede de postos ainda desigual — sobretudo fora dos grandes centros urbanos — continuam a ser os principais fatores de resistência.

Um ponto de viragem no mercado automóvel

O estudo conclui que 2026 poderá marcar o primeiro verdadeiro ponto de viragem da mobilidade elétrica em Portugal. Os condutores estão mais informados, conhecem melhor a tecnologia e demonstram maior abertura para a eletrificação.

Ainda assim, a velocidade da transição dependerá de fatores estruturais — desde o custo dos veículos à expansão da rede de carregamento. Se esses obstáculos forem ultrapassados, os elétricos poderão deixar definitivamente de ser uma exceção para passar a ser parte dominante do futuro automóvel português.

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