Estudantes da FEUP vítimas de partilha não autorizada de vídeos e fotografias em grupo de WhatsApp

A direção da faculdade está a acompanhar a situação com a máxima seriedade, enquanto a associação de estudantes já se posicionou publicamente sobre o ocorrido.

Pedro Gonçalves
Abril 4, 2025
11:22

Recentemente, surgiram notícias alarmantes envolvendo estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Fotografias e vídeos de alunas, captados sem o seu consentimento, foram partilhados ilegalmente num grupo de WhatsApp, alegadamente por membros da Associação de Estudantes da FEUP (AEFEUP). A direção da faculdade está a acompanhar a situação com a máxima seriedade, enquanto a associação de estudantes já se posicionou publicamente sobre o ocorrido.

Num comunicado enviado por email à comunidade académica da FEUP, a AEFEUP condenou veementemente os acontecimentos, descrevendo-os como “inaceitáveis e contrários aos valores da nossa comunidade académica”. A associação declarou que está a tomar as devidas providências e anunciou que será realizada uma assembleia geral, onde os estudantes terão acesso a todos os detalhes relevantes sobre o caso e onde serão tomadas medidas em relação aos envolvidos. A AEFEUP indicou que os membros da associação que participaram neste episódio serão afastados dos seus cargos.



De acordo com fontes do Jornal de Notícias (JN), os vídeos e fotografias das alunas terão sido captados durante uma gala organizada pela AEFEUP. Durante o evento, alegadamente, os conteúdos foram partilhados em tempo real num grupo de WhatsApp, constituindo uma violação flagrante da privacidade das vítimas. Acredita-se que os responsáveis pela captação e divulgação das imagens foram membros da própria direção da AEFEUP.

Em resposta à situação, a direção da FEUP confirma o envio do email pela AEFEUP e reiterou que está a acompanhar a situação com a máxima seriedade. A fonte da direção da faculdade adiantou que qualquer esclarecimento adicional será fornecido durante a Assembleia Geral da AEFEUP, que está agendada para o início da próxima semana.

Reações e declarações de ativistas
A polémica ganhou ainda mais destaque nas redes sociais, especialmente após a intervenção de Inês Marinho, presidente da associação “Não Partilhes”, uma iniciativa que visa combater a partilha de conteúdos íntimos sem consentimento. Em declarações publicadas no Instagram, Inês Marinho revelou que várias alunas foram fotografadas “debaixo das mesas” e “por debaixo das saias”. A ativista acrescentou que o grupo de WhatsApp envolvido neste incidente já existe há alguns anos e é utilizado para partilhar conteúdos íntimos de estudantes do sexo feminino, o que configura uma prática ilegal e profundamente invasiva.

No entanto, um membro da AEFEUP, em declarações ao JN, refutou as acusações feitas por Inês Marinho, negando que as imagens tenham sido captadas da forma descrita no vídeo da ativista. Esta fonte adiantou que mais esclarecimentos sobre a situação seriam fornecidos posteriormente, após uma investigação interna.

Compromisso com um ambiente seguro e inclusivo
A AEFEUP, no seu email enviado aos estudantes, afirmou que está a continuar a trabalhar para garantir que todos os alunos possam usufruir de um ambiente académico “seguro, inclusivo e respeitoso”. No entanto, o caso gerou uma onda de indignação entre a comunidade estudantil e reforçou a necessidade de medidas mais eficazes para prevenir situações de assédio e violação da privacidade no seio das instituições académicas.

Este episódio levanta questões importantes sobre a privacidade e a segurança das mulheres em ambientes académicos, além de expor a crescente necessidade de educação e consciencialização sobre o consentimento e o respeito mútuo. A situação está a ser acompanhada de perto por vários organismos e ativistas, que exigem uma resposta rápida e eficaz das instituições envolvidas para garantir que incidentes como este não se repitam no futuro.

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