Estreito de Ormuz: Cada semana de bloqueio agrava inflação e travão económico, alerta analista

A tensão geopolítica no Estreito de Ormuz está a lançar uma sombra significativa sobre a economia mundial, com efeitos já visíveis nas previsões de crescimento e nas expectativas para a política monetária.

André Manuel Mendes

A tensão geopolítica no Estreito de Ormuz está a lançar uma sombra significativa sobre a economia mundial, com efeitos já visíveis nas previsões de crescimento e nas expectativas para a política monetária, segundo uma análise de Thomas Hempell, responsável de Macro e Market Research da Generali Investments.

O cenário de “choque estagflacionista” provocado pela possibilidade de encerramento da passagem estratégica levou a equipa de investigação a rever em baixa o crescimento global para 2026 em 0,3 pontos percentuais. As economias mais expostas à importação de energia, como a Área do Euro, surgem como as mais penalizadas.

Apesar do agravamento do risco geopolítico, a análise aponta para uma probabilidade ainda elevada de uma solução negociada já em maio, o que poderia limitar o impacto económico global. Nesse cenário, o choque seria consideravelmente mais suave do que o registado em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia, sustentado por um momento económico pré-crise mais sólido e por um mercado de trabalho menos pressionado.

Ainda assim, o risco de uma interrupção prolongada permanece elevado. Segundo a nota, quanto mais longa for a disrupção, maior será o impacto negativo no crescimento e mais persistente será a pressão inflacionista, alimentada por preços energéticos elevados e potenciais constrangimentos de oferta.

Nos mercados financeiros, a leitura atual de duas a três subidas de juros por parte do Banco Central Europeu (BCE) é considerada excessiva. A expectativa da Thomas Hempell aponta antes para apenas uma subida “de seguro” em junho. Já as yields da dívida alemã deverão manter-se estáveis, sustentadas por prémios de risco mais elevados, o que favorece uma posição neutra em duração.

Continue a ler após a publicidade

No mercado cambial, o euro/dólar (EUR/USD) poderá beneficiar de uma eventual reabertura do Estreito, embora a sua correlação com o petróleo tenha perdido força desde o cessar-fogo de abril.

Apesar da volatilidade, a liquidez global robusta e o crescimento sólido dos resultados empresariais continuam a sustentar a recuperação em “V” dos mercados acionistas. Ainda assim, a incerteza geopolítica levou a equipa a reduzir ligeiramente a exposição a ações para um peso neutro, privilegiando uma postura moderadamente pró-risco através da sobreponderação do crédito face à dívida soberana.

No Reino Unido, o contexto político também marcou a análise. O Partido Trabalhista, atualmente no governo, sofreu perdas significativas nas eleições locais. O primeiro-ministro Keir Starmer procurou acalmar os mercados ao reafirmar que o executivo não irá “abandonar” a disciplina orçamental, reduzindo receios de uma expansão fiscal mais agressiva. Esta posição ajudou a sustentar a libra e a dívida britânica, embora a pressão política sobre Starmer tenha aumentado nos últimos dias.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.