“Estou a salvar o vosso país”: Trump diz que guerra com Irão protege Reino Unido de ataque nuclear

Presidente dos EUA voltou a criticar Londres por não ter acompanhado Washington de forma mais ampla no conflito com o Irão

Francisco Laranjeira

Donald Trump garantiu que a guerra dos EUA contra o Irão está a “salvar” o Reino Unido de um eventual ataque nuclear, defendendo que, caso Teerão conseguisse obter uma arma atómica, seria mais provável utilizá-la contra a Europa do que contra território dos EUA.

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As declarações foram feitas numa entrevista à ‘GB News’, citada pelo ‘The Independent’, na qual o presidente dos EUA voltou a criticar Londres por não ter acompanhado Washington de forma mais ampla no conflito com o Irão.

“Estou também a salvar o vosso país dessa ameaça”, afirmou Trump. “Porque, se o Irão tivesse uma arma nuclear, seria mais provável utilizá-la na Europa, onde tem capacidade de alcance com mísseis, do que nos Estados Unidos, onde não tem.”

“Estou a salvar o vosso país de um problema, porque eles usá-la-iam”, acrescentou.

As palavras surgem numa altura de forte tensão entre Washington e Teerão. A guerra dura há seis meses e voltou a escalar esta semana, com os EUA a lançarem novos ataques contra alvos iranianos e Teerão a responder com mísseis e drones contra instalações dos EUA na região. O conflito tem também pressionado os mercados energéticos internacionais e feito subir os preços do petróleo.

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“O vosso país não esteve lá para me ajudar”

Trump não se limitou à ameaça nuclear. Na mesma entrevista, voltou a deixar clara a irritação com a posição britânica perante a guerra.

“O vosso país não esteve lá para me ajudar”, afirmou, quando questionado sobre se os EUA apoiariam o Reino Unido numa eventual nova crise militar em torno das ilhas Falkland/Malvinas.

Londres recusou inicialmente participar na ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irão. O então primeiro-ministro Keir Starmer acabaria por aceitar apoiar ataques considerados “defensivos”, nomeadamente contra lançadores de mísseis, mas não acompanhou o apelo de Trump para o envio da Marinha britânica com o objetivo de reabrir o Estreito de Ormuz.

A divergência provocou repetidas críticas de Trump ao Governo britânico.

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E a questão ganhou uma dimensão particularmente sensível nos últimos dias devido às Falkland/Malvinas, território britânico no Atlântico Sul cuja soberania é reivindicada pela Argentina.

Trump revelou no final de agosto que estava a rever a posição dos EUA sobre o arquipélago. Washington tem evitado tradicionalmente tomar partido na disputa de soberania, mas uma eventual mudança de posição chegou a estar entre várias possibilidades analisadas pelo Pentágono para pressionar aliados da NATO que, na perspetiva dos EUA, não apoiaram suficientemente as operações militares contra o Irão.

Na quinta-feira, questionado sobre a capacidade britânica para voltar a defender as ilhas, Trump deixou nova provocação: “Não sei se têm capacidade para fazer isso.”

Guerra com Irão volta a escalar

As declarações chegam precisamente numa semana em que o conflito entre EUA e Irão sofreu uma nova escalada.

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Washington lançou na terça-feira uma vaga de ataques contra instalações iranianas, incluindo sistemas de defesa aérea, radares e centros de comunicações. Teerão respondeu atacando instalações dos EUA na Jordânia, Bahrain e Iraque.

Trump afirmou posteriormente que os ataques dos EUA tinham destruído novos equipamentos militares instalados pelo Irão junto ao Estreito de Ormuz e avisou que Washington estava preparado para voltar a atacar “a qualquer momento”.

A questão nuclear continua no centro do confronto. Os EUA, Reino Unido, França e Alemanha estão agora a pressionar o conselho de governadores da Agência Internacional de Energia Atómica para que o caso iraniano seja remetido para o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Desde os ataques dos EUA e de Israel de 28 de fevereiro, o Irão não permitiu que inspetores da agência regressassem às instalações de enriquecimento atingidas nem verificassem o que aconteceu às reservas de urânio enriquecido do país.

Parte desse material tinha sido enriquecida até 60%, ainda abaixo dos níveis normalmente associados à produção de uma arma nuclear. O Irão sustenta que o seu programa tem fins pacíficos.

“Estão à beira do desastre”

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Trump aproveitou ainda a entrevista para alargar o ataque ao estado atual do Reino Unido, sobretudo em matérias como imigração e energia.

“Se não impedirem que pessoas de todo o mundo entrem no vosso país, não vão ter um país”, afirmou.

O presidente dos EUA considerou também que Londres é atualmente “um lugar muito diferente” e voltou a atacar o presidente da Câmara da capital britânica.

As críticas coincidem com outra advertência feita por Trump na mesma entrevista: na sua opinião, o Reino Unido está “à beira do desastre” devido à imigração, aos custos da energia e às políticas de transição energética.

Apesar das críticas particularmente duras a Londres, o ponto mais sensível da entrevista acabou por estar na ligação feita por Trump entre a guerra no Irão e a segurança britânica: na perspetiva do Presidente dos EUA, o Reino Unido recusou-se a acompanhá-lo plenamente numa guerra que, garante, está também a impedir que uma futura arma nuclear iraniana possa ser utilizada contra a Europa.

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