Estes são os três vírus para ficar de olho neste ano, alerta um especialista em doenças infecciosas

Num artigo publicado no ‘The Conversation’, Patrick Jackson, professor assistente de Doenças Infecciosas na Universidade da Virgínia, nos EUA, identifica três vírus que merecem especial atenção em 2026

Francisco Laranjeira
Fevereiro 10, 2026
7:15

A ideia de que o mundo deixou para trás a era das grandes pandemias pode ser enganadora. Especialistas em doenças infecciosas alertam que vários vírus com potencial pandémico estão a evoluir num contexto global marcado por alterações climáticas, crescimento populacional e mobilidade intensa, criando condições propícias a surtos inesperados nos próximos anos.

Num artigo publicado no ‘The Conversation’, Patrick Jackson, professor assistente de Doenças Infecciosas na Universidade da Virgínia, nos EUA, identifica três vírus que merecem especial atenção em 2026: a gripe A, o mpox e o vírus Oropouche. Segundo o investigador, “um planeta mais quente e cada vez mais populoso coloca os humanos em contacto com mais e diferentes vírus”, enquanto a circulação global facilita a sua rápida disseminação.



Gripe A preocupa pela adaptação a novas espécies

A gripe A, em particular as variantes do subtipo H5, continua a gerar preocupação entre epidemiologistas. Em 2024, o vírus foi detetado pela primeira vez em bovinos leiteiros nos Estados Unidos, espalhando-se rapidamente por vários estados. Desde então, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças americanos registaram 71 infeções humanas e duas mortes.

A maioria dos casos ocorreu entre trabalhadores dos setores avícola e leiteiro e, até ao momento, não foi identificada transmissão sustentada entre pessoas. Ainda assim, especialistas sublinham que a capacidade do vírus infetar múltiplas espécies é um sinal de risco. De acordo com o ‘The Conversation’, há também receios quanto à capacidade das autoridades americanas manterem uma vigilância eficaz, após cortes de financiamento e de pessoal que afetaram a monitorização da gripe.

Mpox continua a circular fora de África

O mpox, anteriormente conhecido como varíola dos macacos, é outra ameaça acompanhada de perto. Embora seja endémico em algumas regiões africanas desde a década de 1970, ganhou projeção global com o surto de 2022, que se espalhou por mais de 100 países através de transmissão entre humanos, sobretudo por contacto sexual.

Apesar da diminuição do número de casos e do fim da emergência de saúde pública, a doença continua ativa. Em 2023, um surto do clado Ib teve início na República Democrática do Congo e alastrou a países vizinhos. Desde 2024, foram registados casos nos Estados Unidos e no Reino Unido, alguns deles sem ligação direta a viagens, sugerindo transmissão local fora de África.

Segundo dados citados pelo ‘The Conversation’, as autoridades de saúde esperam novos casos na Europa e nos Estados Unidos. Embora a maioria das infeções seja ligeira e exista uma vacina disponível, não há tratamento específico para a doença.

Vírus Oropouche expande-se para novas regiões

O vírus Oropouche, transmitido por insetos, é apontado como uma ameaça emergente devido à sua expansão geográfica. Identificado pela primeira vez nas Caraíbas na década de 1950 e inicialmente limitado à Amazónia, começou a surgir noutras regiões da América do Sul e Central nos anos 2000.

Durante um surto em 2024, foram registados, pela primeira vez, casos associados a viagens na Europa, bem como mortes no Brasil. O mosquito vetor encontra-se amplamente distribuído nas Américas, incluindo no sudeste dos Estados Unidos, o que levanta preocupações quanto a uma maior propagação. O vírus foi ainda associado a transmissão de mãe para filho e a casos de microcefalia.

Em resposta ao aumento de casos, a Organização Mundial da Saúde publicou, em janeiro de 2026, um plano de investigação e desenvolvimento, sublinhando a urgência de criar vacinas e terapias, atualmente inexistentes.

Outras ameaças e o regresso de doenças evitáveis

Para além destes três vírus, outros patógenos continuam sob observação. O chikungunya registou mais de 445 mil casos suspeitos e confirmados em 2025, enquanto surtos recentes de Nipah na Índia foram considerados controlados, sem indícios de risco pandémico imediato.

Paralelamente, doenças consideradas evitáveis estão a reaparecer. O sarampo voltou a surgir em vários países devido à descida das taxas de vacinação, colocando em causa o estatuto de eliminação em algumas regiões. Este cenário reforça a necessidade de vigilância contínua e de investimento em saúde pública.

Como sublinha Patrick Jackson, a interdependência entre pessoas, animais e ambiente torna essencial a deteção precoce de ameaças virais e o desenvolvimento de novas vacinas e tratamentos, como forma de prevenir futuras crises sanitárias globais.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.