Comprar um automóvel representa um investimento elevado, mas o preço pago no concessionário está longe de ser o único custo a considerar. A desvalorização pode retirar mais de metade do valor de alguns modelos em apenas cinco anos, segundo um estudo divulgado pela empresa de dados automóveis carVertical.
Entre os veículos analisados em Portugal, o Jaguar I-Pace foi o que registou a maior perda de valor. Ao fim de cinco anos, este SUV elétrico desvalorizou, em média, 64,6%, o que significa que passou a valer pouco mais de um terço do preço inicial.
A lista prossegue com o Opel Insignia, que perdeu 61,2% do valor, o Nissan Leaf, com uma desvalorização de 58,1%, o Ford Mondeo, com 57,7%, e o Audi e-tron, que caiu 54,3%. Os dados mostram que os modelos elétricos e os automóveis de segmentos superiores estão particularmente expostos a perdas acentuadas.
“Alguns veículos podem parecer uma excelente compra”, reconhece Matas Buzelis, especialista do mercado automóvel da carVertical. O equipamento tecnológico e a qualidade dos acabamentos podem atrair os compradores, mas a rápida desvalorização representa um custo oculto que muitos condutores apenas descobrem quando decidem vender o carro.
Segundo a empresa, os automóveis de luxo enfrentam uma espécie de custo duplo. Além do preço inicial mais elevado, têm reparações e despesas de manutenção mais caras, fatores que reduzem a procura no mercado de usados. A evolução acelerada da tecnologia também faz com que algumas funcionalidades dos modelos premium fiquem rapidamente ultrapassadas.
Nos veículos elétricos, a perda de valor é agravada pelo desenvolvimento das baterias e pelo aumento da autonomia oferecida pelos modelos mais recentes. Um automóvel elétrico com poucos anos pode tornar-se menos atrativo quando comparado com novas propostas capazes de percorrer distâncias superiores entre carregamentos.
O mesmo padrão é visível no conjunto dos países europeus abrangidos pelo estudo. O Jaguar I-Pace voltou a ocupar o primeiro lugar, com uma desvalorização média de 73,1% em cinco anos, seguido pelo Land Rover Range Rover, com 70,1%, pelo Nissan Leaf, com 62,4%, pelo Audi e-tron, com 60,9%, e pelo Jaguar XF, com 59,9%.
No extremo oposto da análise realizada em Portugal aparece o Peugeot 508. Entre os modelos considerados, foi o que melhor conservou o valor, embora tenha perdido 48,7% do preço inicial ao longo de cinco anos. Seguem-se o Opel Astra, com uma queda de 48,8%, o Tesla Model S, com 51%, o Tesla Model 3, com 52,6%, e o Hyundai Ioniq, com 53,8%.
Os veículos de gamas mais acessíveis tendem a conservar melhor o valor devido ao preço inicial mais baixo, aos custos de manutenção reduzidos e à maior procura no mercado de usados. Ainda assim, a carVertical salienta que o comportamento de cada modelo varia de país para país e depende das preferências dos compradores locais.
A desvalorização não resulta apenas da idade do automóvel. A reputação do modelo, a fiabilidade, os custos de utilização e a procura entre potenciais compradores também influenciam o preço. Um veículo considerado arriscado ou pouco procurado poderá perder valor mais rapidamente, enquanto os modelos populares e económicos tendem a resistir melhor.
O estudo teve por base relatórios históricos adquiridos pelos utilizadores da carVertical entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025. Foram analisados veículos fabricados em 2020, comparando o preço de venda recomendado pelo fabricante com o respetivo valor de mercado cinco anos depois.















