O Canadá, quinto maior produtor mundial de gás natural, iniciou oficialmente a sua entrada no mercado internacional de gás natural liquefeito (GNL) e pretende transformar-se numa nova superpotência energética. O país, que produz cerca de 6% da oferta global sempre destinou quase toda a sua produção ao consumo interno e às exportações para os EUA através de gasodutos.
Em julho, Ottawa concluiu o seu primeiro terminal de exportação de GNL, assinalando uma mudança histórica na sua estratégia energética. Até então, dezenas de projetos tinham sido cancelados por razões ambientais e financeiras, mas o novo governo de Mark Carney defende agora que o Canadá deve assumir um papel de liderança nos mercados globais, revela o ‘elEconomista’.
“Queremos reduzir a dependência dos EUA e diversificar as nossas exportações, ao mesmo tempo que reforçamos a segurança energética”, afirmou o ministro da Energia, Tim Hodgson, durante uma visita a Berlim. O responsável confirmou que já estão em curso negociações com a Alemanha para um acordo de fornecimento a longo prazo e anunciou planos para ampliar a infraestrutura portuária de Montreal em 40%, de forma a permitir maiores volumes de exportação para a Europa.
Até agora, quase todas as exportações de gás canadiano chegaram ao Velho Continente através dos EUA, a preços mais elevados. Com a nova infraestrutura, Ottawa pretende concorrer diretamente com Washington, que arrecadou 13 mil milhões de dólares em vendas de GNL para a Europa só em 2024.
Apesar do entusiasmo, analistas alertam que a expansão canadiana será gradual e só deverá ter impacto significativo no mercado internacional a partir de 2026, com o arranque em larga escala do projeto LNG Canada. Ainda assim, especialistas como a S&P Global e a PwC consideram que a entrada do Canadá terá um efeito relevante na queda dos preços globais de gás e poderá alterar o equilíbrio de poder energético entre as grandes potências.














