A França, a segunda maior economia da Zona Euro, está a enfrentar um aumento significativo no seu prémio de risco, superando até mesmo a dívida portuguesa. Este cenário desenrola-se no meio de um déficit público descontrolado, uma dívida pública crescente e uma incerteza política que pode desencadear uma crise futura.
A recente volatilidade nos mercados financeiros foi exacerbada pelo aumento do spread entre as obrigações soberanas francesas e alemãs, atingindo níveis de 2017, e pela queda de 240 mil milhões de euros na bolsa francesa na semana anterior. A incerteza política agrava-se com a possibilidade de Marine Le Pen, da extrema-direita, chegar ao poder, e a potencial demissão de Emmanuel Macron, caso seu partido fracasse nas eleições legislativas de 30 de junho.
O Banco Central Europeu (BCE) mantém-se atento. Christine Lagarde, Presidente do BCE, afirmou que a estabilidade de preços está alinhada com a estabilidade financeira e que o BCE está preparado para intervir, se necessário, para evitar uma crise semelhante à de 2010-2011, revela o ‘elEconomista’.
O BCE possui três ferramentas principais para lidar com possíveis crises:
- Programa de Operações Monetárias Irrestritas (OMT): Permite ao BCE comprar uma quantidade ilimitada de obrigações de Estados-Membros em dificuldades. No entanto, a sua ativação envolve grandes condicionalidades que poucos países querem assumir.
- Instrumento de Proteção da Transmissão (TPI): Criado para acalmar movimentos específicos nos mercados de dívida que ameaçam a transmissão da política monetária. Esta ferramenta, destinada a ser ativada em situações excecionais, ainda não foi utilizada.
- Carteira Estrutural de Obrigações: Uma recente adição ao quadro operacional do BCE, permitindo a detenção permanente de obrigações estatais e empresariais para reduzir a influência dos investidores privados nos preços da dívida pública.
Economistas do Commerzbank destacam que o BCE está disposto a criar novos instrumentos, se necessário, para evitar uma deterioração das condições de financiamento dos governos. Analistas da UniCredit Research e do Bank of America também apontam a flexibilidade e a importância das novas ferramentas do BCE para estabilizar o mercado e prevenir futuras crises.














