Estaremos prestes a assistir a uma recuperação do ouro?

O início da invasão russa na Ucrânia desencadeou uma recuperação do preço do ouro, mas foi apenas de curto prazo. O preço reagiu acima da marca dos 2.000 dólares por onça e esteve a ser negociado perto dos seus máximos históricos. No entanto, os compradores não conseguiram manter o controlo do preço, e o mesmo acabou por cair para mínimos de fevereiro – desde antes do início da invasão russa. A subida das yields, bem como o fortalecimento do dólar americano, têm sido as principais razões por detrás das quedas do ouro. Os aumentos das taxas de juro encorajam os investidores a procurarem alternativas ao ouro. No entanto, nesta análise, vamos olhar para o ouro de um ponto de vista mais fundamental e perceber se ainda há espaço para novas valorizações no preço do metal precioso.

Queda significativa na procura de joias

A procura de joias é um dos pilares principais do mercado do ouro e representa cerca de 50% da procura total deste material. Embora o mercado do ouro seja principalmente impulsionado pela procura de investimento a curto prazo, não se pode ter uma visão de longo prazo sobre o ouro sem ter em consideração a procura de joias. O mercado da joalharia caiu 30% durante o primeiro trimestre, principalmente devido à queda de cerca de 50% da procura na China, bem como a uma redução na procura na Índia. A procura trimestral caiu abaixo da média a longo prazo, na sequência do último trimestre bastante forte.

A procura de joias diminuiu significativamente no primeiro trimestre de 2022 e esteve abaixo da média a longo prazo. No entanto, a procura global de ouro aumentou durante o primeiro trimestre de 2022, principalmente devido a uma forte procura de investimentos. Mas será que esta tendência é para se manter? Fonte: Bloomberg, WGC, XTB Research

 

Investidores voltam a procurar o ouro como uma alternativa de investimento

A procura de investimento em ouro manteve-se firme no primeiro trimestre do ano, contudo, a situação não seja tão clara quando analisamos ao detalhe o último trimestre. O aumento da procura foi impulsionado principalmente por ETFs, enquanto que a procura de ouro físico – barras e moedas – diminuiu. O aumento na procura de ETF foi muito provavelmente impulsionado pelo aumento da procura de ouro a curto prazo, no rescaldo da invasão russa na Ucrânia. Os ETF tendem a vender muito ouro em períodos de subida das taxas de juro, pelo que, em termos fundamentais, esta poderá ser uma condicionante para os preços do metal industrial.

A procura de investimento e a procura por parte dos bancos centrais continuam a recuperar. Fonte: Bloomberg, WGC, XTB Research

 

Quebra da mineração de ouro

O último relatório trimestral do Conselho Mundial do Ouro mostrou uma conclusão interessante – registou-se uma quebra na extração de ouro, relacionada com as novas restrições pandémicas na China. A China deixou de ser o principal país de extração de ouro, tendo a Austrália assumido o primeiro lugar. No entanto, a China já referiu que a produção retomou aos níveis anteriores. A situação na China tem também um impacto na joalharia e na procura de investimento em ouro. O “regresso ao normal” na China deve também apoiar o ouro de um ponto de vista fundamental. No entanto, é difícil prever quando terminarão as restrições na China.


A procura de ouro excedeu a oferta no primeiro trimestre de 2022 e a média móvel de 4 trimestres da soma do saldo continua a diminuir. Fonte: Bloomberg, WGC, XTB Research

 

Devemos ter medo dos aumentos sobre as taxas de juro?

Os aumentos das taxas de juro levam os bancos a aumentar os juros dos depósitos e a aumentar as yields das obrigações. Neste cenário, os investidores poderão ajustar as suas estratégias de investimento no mercado, especialmente em momentos de incerteza sobre a inflação. Por outro lado, existem expectativas sobre a forma como as taxas elevadas podem aumentar. Os analistas esperam que as taxas de juro nos EUA permaneçam perto da faixa dos 2,5-3,0%, embora alguns digam que a taxa de referência poderá aproximar-se dos 5%. Por outro lado, as yields das obrigações a 10 anos devem também seguir a tendência e poderão aproximar-se do valor das taxas de juro de referência. Dito isto, o preço das obrigações poderá voltar a cair, sendo que o gráfico das TNOTE poderá captar a atenção dos investidores.

A situação atual no mercado do ouro começa a ser parecida com o período de 2011-2013. É por isso que é crucial que os compradores consigam recuperar o controlo na zona de suporte marcada pelos 1.700 dólares. No entanto, há ainda um longo caminho a percorrer até que este nível seja alcançado. Por outro lado, uma queda significativa nas yields das obrigações poderia provocar uma forte recuperação no ouro. Fonte: xStation5

 

Por Analistas XTB

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