Estaremos perante uma nova crise de 2008? Queda do Silicon Valley Bank faz soar alarmes

As autoridades norte-americanas anunciaram na passada sexta-feira ter encerrado o Silicon Valley Bank, um banco fundamental no ecossistema das start-ups, muito ligado ao setor das tecnologias e repentinamente em dificuldades, tendo confiado o controlo dos depósitos à agência responsável pela sua garantia (FDIC).

André Manuel Mendes

As autoridades norte-americanas anunciaram na passada sexta-feira ter encerrado o Silicon Valley Bank, um banco fundamental no ecossistema das start-ups, muito ligado ao setor das tecnologias e repentinamente em dificuldades, tendo confiado o controlo dos depósitos à agência responsável pela sua garantia (FDIC).

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A queda do Silicon Valley Bank (SVB) advém fundamentalmente de erro de gestão, tal como costuma ocorrer com todas as quedas de instituições bancárias. “Neste caso específico, também como habitualmente, deriva da exposição excessiva a um determinado ativo, que por um evento inesperado perde valor, sendo que de novo por incompetência da gestão, o reajustamento do risco para acautelar um desenvolvimento inesperado deixou muito a desejar, isto porque com a subida dos juros por parte da Fed, que não obstante ter sido muito célere, mas ainda assim agora com cerca de um ano de duração, os clientes do banco começaram a necessitar de maior liquidez, o que os levou a retirar capital do banco”, explica Mário Martins, analista da ActivTrades.

O analista destaca ainda que, uma vez que o SVB detinha mais de 50% do seu capital em obrigações, a forma primária que a administração encontrou para colmatar as suas necessidades de liquidez foi vender um portefólio de obrigações na ordem dos 21 mil milhões de dólares (19,7 mil milhões de euros).

“O problema residiu no facto de como os juros subiram substancialmente no último ano, o valor das obrigações caiu bastante o que originou uma perda de 1.8 mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros) nas contas do banco”, sublinha Mário Martins.

O analista explica ainda que essa perda “necessitava de ser colmatada, com a instituição a pretender vender 2.25 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros) em ações, uma parte delas, 500 milhões de dólares (470 milhões e euros), já apalavrada com a General Atlantic, contudo a queda a pique do valor dos títulos em apenas dois dias, assim como o ruído que se instalou à volta do banco, acrescido da corrida aos depósitos por muitos clientes, fez abortar o negócio e a venda das ações”.

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Esta é das falências mais importantes de um banco nos EUA desde a crise económico-financeira de 2008.

Recorde-se que, em termos de dimensão de ativos, as falências mais preponderantes foram as do HBOS (Reino Unido), em 17 de setembro de 2008, com 690 mil milhões de libras (762 mil milhões de euros), a do Washington Mutual (EUA), em 25 de setembro de 2008, com ativos de 307 mil milhões de dólares (288 mil milhões de euros), e agora a do SVB, que tinha ativos de 209 mil milhões de dólares (196 mil milhões de euros).

E quais as consequências do encerramento do SVB? Ainda são imprevisíveis e as opiniões são diversas. Vários especialistas apontam, por exemplo, um receio quanto à sustentabilidade dos bancos, o que pode levar a uma retirada em massa de fundos por parte dos clientes.

Outros, porém, acreditam que a banca está numa situação mais favorável do que aquela em que se encontrava durante a crise de 2008.

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