“Estaremos ao seu lado quando achar que é o momento certo para negociar e como futuro membro da UE”: Costa recebe Zelensky com promessas de apoio sem reservas

“Vamos aumentar a nossa capacidade de despesa para gastar melhor e aumentar a nossa capacidade de Defesa”, garantiu o presidente do Conselho Europeu

Francisco Laranjeira
Março 6, 2025
11:24

António Costa, presidente do Conselho Europeu, deu as boas-vindas a Volodymyr Zelensky à entrada da cimeira extraordinária da UE. “É sempre muito bem-vindo a Bruxelas”, indicou.

“Hoje é um momento muito importante para construir a segurança europeia. Como todos sabem, há alguns meses tivemos uma importante reunião, mas hoje estamos aqui para tomar decisões”, frisou. “Gostava de agradecer à Comissão Europeia ter avançado tão rapidamente com propostas concretas e dar-nos a oportunidade de tomar decisões concretas.”

“Vamos aumentar a nossa capacidade de despesa para gastar melhor e aumentar a nossa capacidade de Defesa. Claro, a segurança da Europa não está separada da segurança da Ucrânia. A nossa mais forte capacidade de Defesa aumenta a capacidade da Ucrânia, e uma mais forte capacidade da Ucrânia aumenta a nossa. Estamos aqui para apoiar a Ucrânia para alcançar uma paz justa”, rematou.

“Estamos consigo desde o primeiro dia, vamos continuar a estar consigo e assim vai ser no futuro. Estaremos ao seu lado quando achar que é o momento certo para negociar e, mais importante, contamos consigo como membro da UE”, concluiu.

Volodymyr Zelensky agradeceu a receção, destacando estar reconhecido “a todos os líderes europeus pelos sinais de forte apoio desde o início da guerra”. “Estiveram sempre ao lado dos ucranianos, nunca estivemos sozinhos. É muito importante para todos os ucranianos saberem isso”, apontou.

Os líderes da União Europeia (UE) reúnem-se esta quinta-feira numa cimeira extraordinária em Bruxelas. O objetivo é chegarem a acordo político para gastar mais em defesa e dar garantias de segurança à Ucrânia, numa altura de ameaças americanas.

Duas semanas após os três anos de guerra na Ucrânia causada pela invasão russa e quando existem tensões entre a administração americana e a liderança ucraniana, os chefes de Governo e de Estado da UE vão tentar um alcançar um consenso sobre as primeiras medidas para tornar a Europa ser mais soberana, autónoma e estar melhor equipada na área da defesa e da segurança.

No encontro, os líderes da UE vão comprometer-se a “acelerar a mobilização dos instrumentos e financiamentos necessários” para tornar o bloco comunitário “mais forte e mais capaz no domínio da segurança e da defesa, contribuindo positivamente para a segurança global e transatlântica e complementando a NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte]”, segundo com um rascunho das conclusões a que a agência Lusa teve acesso.

Na carta-convite enviada aos líderes da UE, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse esperar “as primeiras decisões a curto prazo”, o que passa por acordar politicamente gastar mais com defesa, individualmente e em conjunto.Isso mesmo tem vindo a pedir a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que na terça-feira anunciou querer mobilizar 800 mil milhões de euros para investimento na defesa europeia.

Em causa está o plano Rearmar a Europa, assente em cinco vertentes:

– um novo instrumento ao nível da UE para circunstâncias extraordinárias (como o que foi criado para assistência financeira aos países em empréstimos a condições favoráveis durante a covid-19 para evitar o desemprego);
– a ativação da cláusula de salvaguarda nacional das regras orçamentais para evitar procedimentos por défice excessivo (para aumento da despesa pública com defesa, num máximo de 1,5% por ano);
– a reafetação de verbas de outros fundos (como da Coesão);
– verbas do Banco Europeu de Investimento;
– capital privado.

Entre 2021 e 2024, a despesa total dos Estados-membros com a defesa aumentou mais de 30%, ascendendo a um montante estimado de 326 mil milhões de euros, o equivalente a cerca de 1,9% do PIB da UE.

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