O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, anunciou uma mobilização rotativa de unidades militares selecionadas, com o objetivo declarado de as “preparar para a guerra”. A decisão, noticiada pelo ‘Kyiv Post’ com base na agência estatal bielorrussa ‘Belta’, surge num momento de crescente preocupação em Kiev com movimentações junto à fronteira entre a Bielorrússia e a Ucrânia.
“Vamos mobilizar seletivamente unidades, as Forças Armadas, para as preparar para a guerra”, afirmou Lukashenko. “Se Deus quiser, será possível evitá-la. Estamos todos a preparar-nos para a guerra”, acrescentou o líder bielorrusso.
Segundo a informação divulgada em Minsk, a nova estratégia substitui, em parte, a lógica de grandes exercícios militares periódicos por um modelo de mobilização por rotação. As unidades serão chamadas à vez para campos de treino intensivo, com o objetivo de reforçar a prontidão para combate.
O próprio Lukashenko enquadrou a medida na preparação para uma possível “operação terrestre”. A decisão foi tomada depois de inspeções à prontidão das Forças Armadas bielorrussas, que terão revelado falhas discutidas numa reunião no Ministério da Defesa.
Bielorrússia reforça preparação militar
A mobilização agora anunciada faz parte de uma tendência mais ampla de reforço da preparação militar da Bielorrússia. Na passada segunda-feira, Lukashenko afirmou que as Forças Armadas do país precisam de ser modernizadas.
Em abril, o líder bielorrusso já tinha emitido um decreto para chamar oficiais reservistas. Em março, tinha sido lançada a incorporação de homens entre os 18 e os 27 anos para o serviço militar obrigatório.
A Bielorrússia tem sido uma das principais aliadas da Rússia desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia. Em 2022, Moscovo usou território bielorrusso como plataforma para lançar parte da ofensiva contra Kiev.
Kiev vigia movimentos junto à fronteira
Do lado ucraniano, a preocupação tem vindo a crescer. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou em abril último que a Rússia estaria a tentar arrastar a Bielorrússia para a guerra contra a Ucrânia.
Segundo Zelensky, foram preparadas estradas e posições de artilharia junto à fronteira entre os dois países, sinal que Kiev interpreta como potencialmente relevante para uma escalada militar.
A 2 de maio, o presidente ucraniano disse que tinha sido observada “atividade específica” do lado bielorrusso da fronteira. Zelensky garantiu que a Ucrânia está a monitorizar a situação e responderá se for necessário.
Para já, Lukashenko apresenta a mobilização como uma medida de preparação e prevenção. Mas a referência a uma possível “operação terrestre” e a frase “estamos todos a preparar-nos para a guerra” reforçam os receios de que a Bielorrússia possa vir a desempenhar um papel mais ativo no conflito.







