Taxar lucros inesperados da empresas energéticas? “Estamos a olhar para vários modelos”, revela ministro das Finanças

O ministro das Finanças esteve esta manhã em Bruxelas, onde apresentou o pacote de medidas do Governo para fazer face ao aumento da inflação e à perda de poder de compra das famílias portuguesas.

Francisco Laranjeira

O ministro das Finanças esteve esta manhã em Bruxelas, onde apresentou o pacote de medidas do Governo para fazer face ao aumento da inflação e à perda de poder de compra das famílias portuguesas.

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Fernando Medina, tal como já o fez do Primeiro-ministro António Costa, defendeu que o ‘pacote anti-inflação’ aprovado esta semana pelo Governo é abrangente e oportuno para devolver alguns dos rendimentos perdidos devido aos aumentos dos preços de vários bens essenciais, como a energia e a alimentação.

Aos jornalistas, o responsável apontou que a economia portuguesa “está a crescer muito acima da média da União Europeia, com uma taxa de desemprego baixa” e que tem capacidade para manter “o seu défice controlado”. Medina afiança que Portugal será o país que mais conseguirá reduzir a dívida pública em 2022.

Questionado sobre se o Governo pretende tributar os lucros inesperados das empresas, designadamente do setor energético, onde têm beneficiado da crise e das subidas dos preços, o ministro defendeu que “a utilização desses recursos não esperados deveria ser feita por uma questão de justiça”, mas alerta que tal deve ser feito eficazmente.

Assim, assegura que “estamos a olhar para vários modelos”, adiantando que a aplicação de mecanismos de tributação de lucros inesperados noutros países “não foram muito efetivos”

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Em Portugal, Medina salienta que explicou que os lucros inesperados das empresas do setor energético estão a ser já canalizados para fazer descer os custos da eletricidade.

Ele explica que o mecanismo ibérico permitiu que esses lucros fossem utilizados para a “diminuição geral dos preços dos consumidores” no mercado das energias renováveis.

“Depois, o método de financiamento da tarifa regulada é pela redução dos lucros que as empresas poderiam ter se vendessem o gás, que comparam às tarifas que estão no mercado”, acrescenta, indicando que “esses resultados estão a ser passados para as famílias portuguesas”.

Contudo, o ministro afasta a aplicação de um imposto específico para taxar os lucros inesperados das empresas fruto da crise energética.

O responsável das Finanças destaca que “estamos a fazer esta utilização com eficácia, com inteligência, sem parangonas” e que “estas muitas dezenas de milhões de euros já foram transferidos para as famílias portuguesas, através de reduções, de não aumentos”.

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Quanto ao mecanismo ibérico, “de separação dos preços da eletricidade e do gás”, Medina afirma que existe uma poupança global “que se aproxima dos 15% relativamente aos custos que as famílias suportariam se não houvesse esse mecanismo”.

E aponta que “é um caso de sucesso da política ibérica, entre Portugal e Espanha”.

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