O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, defende que é necessária uma reestruturação da Organização Mundial da Saúde (OMS) após a crise do novo coronavírus e que os Estados Unidos, o país que mais donativos faz à organização, podem não voltar a financiar o organismo da ONU.
«Acho que temos de prestar atenção à OMS e perceber o que deve ser feito», disse Pompeo à Fox News na quarta-feira. «Já reestruturámos (a organização) em 2007, então não é a primeira vez que temos que lidar com as suas deficiências. É necessária uma correcção. Precisamos de uma correcção estrutural da OMS», disse.
Donald Trump suspendeu o financiamento dos Estados Unidos à OMS na semana passada, acusando-a de se ter «focado na China» e de promover a «desinformação do país» sobre o surto. As autoridades da OMS negaram as acusações, já a China insistiu que sempre foi transparente na revelação dos números da pandemia.
Os Estados Unidos têm sido o maior financiador da OMS, contribuindo com mais de 400 milhões de dólares em 2019, aproximadamente 15% do total do seu orçamento. As autoridades americanas afirmaram na semana passada, que agora Washington poderia redireccionar esses fundos para outros grupos de ajuda.
Pompeo considera que «Pode dar-se o caso de os Estados Unidos nunca mais voltarem a financiar a organização, uma vez que o dinheiro dos contribuintes americanos foi para a OMS».
Contudo, segundo o responsável, a possibilidade de os Estados Unidos deixarem de financiar definitivamente o organismo global depende de Trump ter sucesso na sua candidatura à reeleição da presidência dos Estados Unidos, em Novembro, contra o candidato democrata Joe Biden.
Pompeo disse ainda que os Estados Unidos «acreditavam firmemente» que Pequim tinha falhado em relatar os números do surto, violando as regras da Organização Mundial da Saúde, e falhado em «relatar a transmissão humana do vírus durante um mês até que estivesse em todas as províncias da China»
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, indica Pompeo, não usou a sua capacidade de «ir a público» quando um Estado membro não soube seguir as regras, considerando ainda que a OMS tem a obrigação de garantir que os padrões de segurança são cumpridos nos laboratórios de virologia em Wuhan, o epicentro do surto inicial de coronavírus na China, e que seu diretor-geral tem uma «enorme autoridade em relação aos países que não cumprem» as regras.














