Representantes dos Estados Unidos e da Rússia deverão reunir-se este fim de semana em Miami, no âmbito dos esforços da administração do presidente Donald Trump para tentar pôr fim à guerra na Ucrânia, que se prolonga há quase quatro anos.
As conversações surgem na sequência de uma ronda intensa de negociações realizadas recentemente em Berlim, onde responsáveis norte-americanos, ucranianos e europeus discutiram garantias de segurança para Kyiv, eventuais concessões territoriais e os contornos de uma proposta de paz liderada por Washington.
Do lado norte-americano, a delegação deverá ser composta pelo enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e por Jared Kushner, conselheiro do presidente e seu genro. Pela parte russa, é esperada a presença de Kirill Dmitriev, diretor executivo do Fundo Russo de Investimento Direto e emissário do presidente Vladimir Putin para estes contactos.
A participação de Dmitriev acontece após encontros mantidos no início do mês em Moscovo, onde Witkoff e Kushner estiveram reunidos com responsáveis russos, incluindo o próprio Putin, para discutir o plano norte-americano para o fim do conflito.
A Casa Branca não comentou oficialmente a realização do encontro.
Apesar dos esforços diplomáticos, as negociações têm enfrentado obstáculos significativos. A administração Trump tem vindo a intensificar a pressão sobre a Ucrânia para aceitar concessões que permitam encerrar o conflito, numa altura em que Moscovo não demonstra alterações substanciais nas suas exigências.
Washington acredita que a Rússia poderá aceitar garantias de segurança ocidentais para a Ucrânia e a adesão do país à União Europeia como parte de um acordo final. No entanto, declarações recentes de Vladimir Putin indicam que o Kremlin continua a defender uma posição dura.
Numa intervenção dirigida a altos responsáveis da defesa em Moscovo, o presidente russo afirmou que a Rússia não recuará da sua missão de “libertar as suas terras históricas” e declarou que os países europeus que apoiam a Ucrânia acabarão por perder influência política.
Antes das conversações diretas entre norte-americanos e russos, está igualmente prevista uma reunião em Miami entre a delegação dos Estados Unidos e o conselheiro de segurança nacional da Ucrânia, Rustem Umerov. Segundo as informações disponíveis, não está planeado um encontro tripartido entre representantes dos três países nesta fase.
Paralelamente, os Estados Unidos preveem convocar, em breve, um grupo de responsáveis militares de países aliados da Ucrânia, em território norte-americano, com o objetivo de aprofundar detalhes técnicos relacionados com segurança e eventuais ajustes territoriais.
Europa discute garantias de segurança e possível força no terreno
Nos últimos dias, líderes europeus têm mantido reuniões intensivas para definir garantias de segurança concretas para Kyiv, incluindo a criação de uma zona desmilitarizada ao longo das atuais linhas da frente.
Entre as hipóteses em análise está o destacamento de forças internacionais com funções específicas, como a operação de aeronaves e drones para vigilância, bem como a colocação de militares no oeste da Ucrânia para apoiar a reconstrução e o treino das forças ucranianas, sem envolvimento direto nos combates.
Apesar de progressos registados nas garantias de segurança, continuam a existir divergências profundas quanto à questão territorial. As autoridades russas mantêm a exigência de que a Ucrânia ceda todo o território que ainda controla na região de Donbas, um dos principais pontos de bloqueio a um acordo abrangente.
As conversações previstas para este fim de semana em Miami decorrem, assim, num contexto diplomático delicado, marcado por avanços limitados, posições ainda distantes e um esforço renovado da administração norte-americana para alcançar um entendimento antes do final do ano.














