É impensável falar-se num negócio com êxito sem falar em exportações. Mas os Pastéis de Belém vêm provar o contrário. Com apenas um único estabelecimento arrasam em vendas.
Localizada num bairro lisboeta em Belém, a pastelaria Pastéis de Belém começou a produzir em 1837 e, desde princípios do século XX, tem passado de geração em geração até aos proprietários actuais, assegurando que se mantém intacta a receita original dos monges que a elaboraram pela primeira vez.
Miguel Clarinha, gerente do estabelecimento, diz ao “El Economista” que são poucas as pessoas que conhecem a famosa (e secreta) receita original. “A receita secreta hoje é conhecida por oito pessoas, quatro ou cinco pasteleiros e os três gerentes, a minha prima, o meu pai e eu”, explica em entrevista. Segundo a tradição, a massa e o creme – uma base de ovo, leite e açúcar – desenvolve-se em alto secretismo.
“Não exportamos porque para isso teríamos de congelar os pastéis, o que implicaria uma perda de qualidade que não se justifica”, diz.
Nas últimas décadas, multiplicaram-se as pastelarias que vendem as doçarias conventuais do País, apenas os pastéis de Belém reúnem filas intermináveis de clientes ansiosos por provar a iguaria. O êxito dos pastéis e a facturação de 9 milhões de euros anuais com apenas um único estabelecimento não faz com que Miguel Clarinha queira expandir o negócio, porque considera que a magia dos pastéis de Belém, além da receita, é o facto de só poder ser comprado num único local.
A venda dos “Pastéis de Belém”
Estes doces têm um peso específico no negócio, que corresponde a 75% da produção total do estabelecimento – uns 7 de 9 milhões de facturação.
No Verão, por causa do turismo, chegam a produzir um total de 45 000 unidades diárias, enquanto a média é de 20 000 no restante do tempo, com o Natal como época baixa com 16 000 aproximadamente. Isto deve-se, como explica, ao aumento da procura de outros produtos típicos como o “Bolo de Rei”.
Espanhóis, franceses, ingleses e brasileiros, são os clientes estrangeiros mais habituais e representam cerca de metade dos clientes, quando há 20 anos representavam 25%.
São mais de 180 anos de história e Miguel Clarinha garante que quem conhece os episódios mais interessantes são os empregados, mas aproveita para partilhar alguns. “Um dia tivemos um cliente que tem comeu mais de 30 pasteis seguidas, ou alguns americanos que os comem como se fossem hambúrgueres”.














