“Pode não ser politicamente correto, mas penso que cada vez mais devemos deixá-los contaminarem-se uns aos outros, desde que não vejam os seus pais e avós”, defende Éric Caumes, chefe do departamento de doenças infecciosas do hospital Pitié Salpêtrière em Paris, desafiado a pronunciar-se sobre o regresso dos surtos da Covid-19 em França e o papel que os jovens estão a assumir neste contexto.
Em entrevista, ao ‘Le Parisien’, o infecciologista apontou para o sentido contrário das orientações das autoridades de Saúde e do Governo francês, e veio afirmar que os jovens não devem ter restrições, numa medidas que deve visar deixar que se contaminem e que a partir daí possa ser criada a imunidade de grupo.
Com a chegada do verão, foi ficando mais complicado impor aos jovens “a máscara em todo o lado e proibi-los de se reunirem”, reforçou o especialista enquadrando o aumento da transmissão do novo coronavírus nas gerações mais novas.
“Ao permitir que se contaminem, participarão na imunidade coletiva e isto será mais importante no início do novo ano escolar, nas escolas e universidades”, reforçou ainda Caumes.
“Caso contrário, os jovens serão um reservatório de contaminação e acabaremos por ter uma epidemia incontrolável”, advertiu, admitindo porém que esta posição não é isenta de riscos e que “os jovens também podem padecer de formas graves da Covid-19”.
Em França existem atualmente mais 556 casos de covid-19 e mais 22 mortos em hospitais nas últimas 24 horas, apontam os dados oficiais. Morreram 30.294 pessoas num universo de 191.295 casos confirmados.






