A Fire Point, uma startup ucraniana de tecnologia militar, está na linha da frente da transformação da Ucrânia num polo global de inovação em defesa, desenvolvendo drones e mísseis de longo alcance que já estão a alterar o equilíbrio do campo de batalha contra a Rússia.
Num armazém secreto, onde dezenas de drones de combate são montados diariamente, Iryna Terekh, chefe de produção da Fire Point, sublinha o papel estratégico destas armas: “Lutar no ar é a nossa única vantagem assimétrica. Não temos tantos homens ou recursos financeiros como a Rússia”, conta à ‘Euronews’.
O modelo FP-1, que pode transportar 60 quilos de explosivos e atingir alvos a até 1.600 quilómetros, tornou-se responsável por cerca de 60% dos ataques no interior do território russo, incluindo refinarias e depósitos de munições. Mais recentemente, a empresa revelou também o FP-5, míssil de cruzeiro capaz de percorrer 3.000 quilómetros com elevada precisão, que o presidente Volodymyr Zelenskyy espera ver produzido em massa ainda este ano.
Desde a invasão em larga escala pela Rússia, em 2022, centenas de empresas semelhantes surgiram quase da noite para o dia, incentivadas pelo governo ucraniano que flexibilizou regulamentações e abriu o mercado à inovação em defesa. Hoje, Kiev investe cerca de 10 mil milhões de dólares por ano na compra de armamento nacional, com a ambição de triplicar a capacidade de produção e até exportar para aliados europeus.
A Fire Point, fundada por um grupo de amigos sem experiência prévia em defesa, mas com conhecimentos em arquitetura, tecnologia e design, passou em apenas dois anos de fabricar 30 drones por mês para 100 por dia. O custo unitário ronda os 55 mil dólares (47,7 mil euros), uma fração do preço de sistemas ocidentais equivalentes.
A guerra em curso acelerou o processo de inovação. Inicialmente dependente de sistemas de navegação ocidentais, a Fire Point desenvolveu o seu próprio software para contornar a guerra eletrónica russa. Ainda assim, as fábricas operam em sigilo, muitas vezes instaladas em áreas civis para escapar à detecção, aumentando o risco para a população.














