Entre ciclos para roupa delicada, algodão, ganga, roupa de cama, lavagem intensiva ou higienização, as máquinas de lavar modernas apresentam cada vez mais opções. No entanto, um especialista em lavandaria defende que, para a maioria das situações, existe apenas um programa que realmente vale a pena utilizar.
A ideia foi avançada por Patric Richardson, conhecido nos Estados Unidos como “The Laundry Evangelist” e autor do livro Laundry Love, que garante recorrer praticamente sempre ao mesmo ciclo de lavagem: o programa rápido, frequentemente identificado nas máquinas como “Express”, “Quick Wash” ou “Lavagem Rápida”.
Segundo Richardson, este ciclo oferece o equilíbrio ideal entre eficácia e proteção dos tecidos.
“Eu só utilizo o ciclo ‘Express’. É suficientemente longo para deixar a roupa limpa, mas suficientemente curto para não causar danos”, afirmou durante uma entrevista ao podcast Am I Doing It Wrong?, do HuffPost.
Questionado sobre situações em que pudesse optar por outro programa, o especialista foi categórico: “Estou a dizer sempre o programa Express.”
Estudos indicam que a lavagem rápida é suficiente para limpar e higienizar
De acordo com Richardson, a conclusão resulta de estudos laboratoriais realizados durante a elaboração do seu livro. Os testes mostraram que mesmo peças particularmente sujas podem ser limpas e higienizadas através de um ciclo rápido.
Segundo o especialista, artigos com elevados níveis de sujidade, incluindo fraldas muito usadas, podem ficar completamente limpos utilizando apenas este tipo de programa.
Na sua perspetiva, optar por ciclos mais longos traduz-se sobretudo num aumento do desgaste dos tecidos. Roupa, toalhas e roupa de cama são submetidas a mais tempo de lavagem, o que acelera a deterioração dos materiais e obriga à sua substituição mais cedo.
Além disso, os programas prolongados implicam normalmente um maior consumo de água e energia.
Porque existem tantos programas nas máquinas de lavar?
Apesar desta posição, a maioria das máquinas continua a oferecer uma vasta gama de ciclos especializados. Para Richardson, a explicação está na evolução tecnológica.
Segundo o especialista, muitos destes programas foram criados numa época em que os detergentes, os tecidos e as próprias máquinas eram significativamente menos eficientes do que são atualmente.
“Todos esses ciclos existem porque já existiam antes”, explicou.
Richardson considera que, durante as décadas de 1970 e 1980, programas específicos para roupa volumosa, higienização ou lavagem intensiva desempenhavam uma função importante devido às limitações tecnológicas da época.
“Na década de 1970 precisava do ciclo para roupa de cama volumosa e do ciclo de higienização. Era realmente necessário. Hoje já não é”, afirmou.
Ainda assim, acredita que os fabricantes continuam a disponibilizar estas opções porque muitos consumidores esperam encontrá-las quando compram uma nova máquina.
Uma máquina com apenas um botão
O especialista vai ainda mais longe e afirma que, se pudesse desenhar a sua própria máquina de lavar, eliminaria praticamente todas as opções existentes.
“Se eu pudesse construir uma máquina de lavar, teria apenas um botão. Carregava-se nele e a máquina utilizava água morna e o ciclo Express. Mais nada”, defendeu.
Na sua opinião, os avanços nos detergentes modernos, nos materiais têxteis e nos sistemas de lavagem tornaram desnecessária grande parte da complexidade presente nos equipamentos atuais.
Menos tempo de lavagem e mais produtividade
Outra das vantagens apontadas por Richardson é a poupança de tempo.
Enquanto muitos programas especializados podem durar entre duas horas e duas horas e quarenta e cinco minutos, os ciclos rápidos costumam terminar em cerca de 30 minutos ou até menos.
“O ciclo Express demora 30 minutos ou menos, por isso é possível fazer várias máquinas de roupa num curto espaço de tempo”, explicou.
O especialista compara a diferença de duração entre programas, salientando que, durante o tempo necessário para completar um ciclo longo, seria possível realizar várias lavagens rápidas consecutivas.
Uma abordagem que desafia hábitos antigos
Embora a recomendação de utilizar praticamente sempre o mesmo programa possa surpreender muitos consumidores, Richardson acredita que a preferência por ciclos longos resulta sobretudo de hábitos transmitidos ao longo de gerações.
Na sua perspetiva, as pessoas continuam frequentemente a lavar a roupa da mesma forma que os seus pais ou avós faziam, apesar das mudanças tecnológicas que transformaram profundamente os equipamentos e os produtos de lavagem.
A mensagem do especialista é simples: para a maioria das cargas de roupa do dia a dia, um ciclo rápido poderá ser suficiente para garantir limpeza, reduzir o desgaste dos tecidos e diminuir o consumo de recursos, tornando a tarefa da lavandaria mais eficiente e sustentável.



