O Canadá soou um novo alarme geopolítico ao confirmar que agentes russos e chineses estão a reforçar operações de espionagem dirigidas ao Ártico, uma região cada vez mais estratégica devido ao degelo acelerado, às rotas marítimas emergentes e às vastas reservas de minerais críticos. A revelação foi feita pelo diretor do Serviço Canadiano de Informações de Segurança (CSIS), Dan Rogers, durante o discurso anual sobre as principais ameaças que o país enfrenta.
Segundo Dan Rogers, o CSIS monitoriza “esforços de recolha de informação cibernética e não cibernética” conduzidos pela Rússia e pela China e direcionados tanto ao governo como ao setor privado canadiano instalado na região ártica. O responsável sublinhou que, ao longo do último ano, a agência conseguiu impedir várias tentativas russas de adquirir ilegalmente tecnologia e bens fabricados no Canadá destinados a serem utilizados na ofensiva militar em curso na Ucrânia.
“Este ano, o CSIS tomou medidas para impedir isso, informando várias empresas canadianas de que empresas sediadas na Europa que procuravam adquirir produtos estavam, na verdade, ligadas a agentes russos”, explicou Rogers. De acordo com o testemunho citado pelo The Guardian, essas empresas cortaram imediatamente quaisquer laços de fornecimento que pudessem apoiar Moscovo.
Para além das operações russas, Dan Rogers referiu ainda que serviços chineses procuraram ativar redes de influência no país, com o objetivo de recrutar canadianos com formação militar e acesso a informação sensível. Segundo o diretor do CSIS, estes esforços refletem um interesse crescente de Pequim nas capacidades estratégicas do Canadá no Ártico, uma zona cujas rotas de navegação e recursos minerais assumem hoje um valor económico e militar cada vez maior.
O governo canadiano tem colocado o Ártico no centro da sua política de segurança e desenvolvimento. O último orçamento federal prevê um fundo de mil milhões de dólares canadianos — cerca de 615 milhões de euros — destinado à construção de aeroportos, portos e infraestruturas capazes de operar durante todo o ano.
Na semana passada, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, apelou a que os aliados da NATO reforcem igualmente a sua atenção estratégica. “[A NATO] não deve ser uma organização com foco apenas no flanco oriental, deve olhar também para o norte”, afirmou, destacando a necessidade de vigilância acrescida num território onde a presença de potências rivais cresce a um ritmo acelerado.
O país está também a ponderar a aquisição de novos quebra-gelos pesados e até de uma frota de doze submarinos de patrulha dedicados à proteção das águas árticas.
O discurso de Rogers incluiu ainda um alerta sobre atividades do Irão no Canadá. O diretor revelou que os serviços secretos iranianos e os seus representantes têm visado dissidentes que vivem no país, constituindo ameaças que classificou como “potencialmente letais”.
“Em casos particularmente alarmantes ao longo do último ano, tivemos de redefinir as prioridades das nossas operações para combater as ações dos serviços secretos iranianos e dos seus representantes, que têm como alvo indivíduos que consideram uma ameaça ao seu regime”, afirmou. Segundo Rogers, a agência foi obrigada a “detetar, investigar e neutralizar” estas ameaças em mais do que uma ocasião.














