O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, saudou o memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão, alcançado através da mediação do Paquistão, e manifestou a expectativa de que o acordo possa abrir uma nova fase diplomática na região.
“Naturalmente, quero saudar o memorando de entendimento que foi conseguido através da mediação do Paquistão entre os Estados Unidos e o Irão, que será assinado esta sexta-feira”, afirmou Paulo Rangel, no Luxemburgo.
O chefe da diplomacia portuguesa disse esperar que este entendimento possa ir além do cessar-fogo e contribuir para uma solução mais duradoura no Médio Oriente.
“Esperamos que possa ser o motor de uma nova fase em que, para além do cessar-fogo, haja a possibilidade de construir uma solução duradoura para aquela região”, acrescentou.
Rangel sublinhou ainda a importância de o acordo permitir a normalização da navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas estratégicas para o transporte internacional de energia e fertilizantes.
O ministro referiu que o bloqueio ou a instabilidade naquela zona tem provocado “sérias preocupações de matriz alimentar”, sobretudo em África, devido ao impacto no transporte de fertilizantes. “Este acordo significa uma nova fase, estamos a superar a fase do conflito”, precisou.
No entanto, há obstáculos ainda pela frente. “Temos uma questão muito sensível, a do Líbano, e portanto também aí há um vetor que temos de ver como evolui, no sentido de garantir que não há nenhuma reação unilateral que pudesse pôr em causa a assinatura deste memorando de entendimento”, frisou Rangel.
Ataque a património religioso em Kiev
Num segundo ponto da declaração, Paulo Rangel voltou a condenar os ataques russos contra Kiev, destacando em particular os danos provocados numa catedral histórica da capital ucraniana.
“Quero condenar uma vez mais os ataques inaceitáveis da Federação Russa a Kiev, mas em particular o facto de terem atingido a catedral”, afirmou.
O ministro português sublinhou o significado histórico, religioso e identitário do edifício, lembrando que se trata de uma construção do século XI ligada à própria formação da identidade ucraniana.
“Estamos a falar de um edifício religioso, do século XI, portanto da própria fundação da identidade ucraniana”, disse Paulo Rangel.
Para o governante, o ataque ganha uma gravidade acrescida por visar um local religioso e classificado como Património da Humanidade.
“Tem esse significado identitário e é uma instalação religiosa, Património da Humanidade, que devia estar a salvo de qualquer ataque”, concluiu.













