Praticamente 24 horas depois de anunciada a intenção de Juan Carlos I, de abandonar Espanha, sucedem-se as especulações sobre o seu destino e atual paradeiro. A Casa real já anunciou que aguarda apenas ‘luz verde’ do rei emérito para anunciar oficialmente a sua localização, algo que poderá acontecer nas próximas horas.
Apesar dos rumores sobre o seu destino, o rei emérito pode ir até países vizinhos onde possui apoio direto da família , como Portugal (Albuquerque), França (Orleans) ou Itália (Bourbon).
A mais recente notícia, do ‘ElConfidencial’ dá conta de que Juan Carlos está em Portugal, mais precisamente em Azeitão, onde foi recebido pela família Brito e Cunha – Espírito Santo, com a qual com quem mantém uma relação fraterna desde que sua família esteve exilada no Estoril.
Sobre os anfitriões portugueses, a publicação dá conta de que se trata de uma das famílias aristocráticas mais conhecidas do nosso país. O chefe da família é João Manuel Brito e Cunha, conde de Portugal de Faria (herdeiro da família Alburquerque d’Orey), amigo pessoal de Juan Carlos, com quem partilha a idade (ambos nasceram em 1938) e uma amizade forjada de toda a vida, e marido de Ana Filipa Espírito Santo, herdeiro de outra família aristocrática portuguesa.
Embora a família tenha residência original em Cascais, o complexo onde Juan Carlos I se terá estabelecido é a propriedade do Brito e Cunha-Espírito Santo, conhecida como Casa Grande Quinta do Peru, localizada em Azeitão, no município da Quinta do Conde, perto de Setúbal e junto ao Parque Natural da Arrábida.
Contudo, sucedem-se os destinos escolhidos por Juan Carlos nesta nova fase. Outros meios espanhóis, entre eles o ABC e o La Vanguardia, já avançaram que terá viajado para a República Dominicana, local onde reside também um dos seus grandes amigos, Pepe Fanjul.
Fanjul é proprietário do complexo Casa de Campo, em La Romana (República Dominicana), onde, segundo o La Vanguardia, Juan Carlos ficará alojado durante algumas semanas, sem intenção de fazer do recinto sua morada permanente.
A viagem terá ocorrido no fim de semana, com escalas em Sanxenxo, na Galiza, e no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, antes do destino final de Santo Domingo, na República Dominicana.
O “ABC” frisa, no entanto, que Santo Domingo pode não ser o destino final de Juan Carlos. Já que numa conversa privada com dirigentes do jornal madrileno o então rei terá dito que, caso tivesse de exilar-se, escolheria a Nova Zelândia.
A TVI avançou ontem à noite que o monarca estava a residir em Portugal, mais concretamente, no concelho de Cascais.
A casa real espanhola ainda não anunciou oficialmente o local onde se encontra o monarca.
A saída de Espanha foi anunciada na segunda-feira, através de uma carta enviado ao filho, Filipe VI, e tornada pública pela Casa Real.
A situação insustentável na sequência das informações que vieram a público sobre os negócios “pouco transparentes” de Dom Juan Carlos, a deterioração que causam na imagem da Coroa e a pressão feita pelas mais diferentes áreas – com ênfase na atuação do governo – levaram Felipe VI a não adiar mais uma decisão que já era esperada.
O rei aceitou a decisão de exílio do seu pai, o Rei emérito, Juan Carlos.
“A minha decisão foi ponderada e decidi sair da Espanha neste momento”, anunciou o ex-chefe de Estado por quase quatro décadas e que agora ocupa as primeiras páginas da imprensa mundial com os seus negócios com fundos em paraísos fiscais e contas na Suíça.
Recorde-se que em junho passado, o Supremo Tribunal espanhol abriu uma investigação ao envolvimento do rei num contrato para uma linha de alta velocidade com o Governo da Arábia Saudita. O suíço ‘Tribune de Genève’, avançava então que o antigo rei terá recebido 100 milhões de dólares neste negócio.
O clima de escândalo agigantou-se quando se tornou público Juan Carlos I doou este valor a uma amante, conseguindo assim excluir este montante de qualquer herança.
Os escândalos que marcaram o reinado do Rei emérito por quase 40 anos colocaram Felipe VI na posição de escolher ser rei antes de irmão ou filho. Primeiro, decidiu despojar a irmã Cristina e o seu marido Iñaki Urdangarin devido ao envolvimento no caso Nóos, e agora está a braços com uma nova decisão , desta vez envolvendo o seu pai que, para ainda assim ser protegiddo, tem de ser expulso de Espanha.
A fórmula encontrada para o exílio de Dom Juan Carlos é a mesma que foi usada aquando da sua demissão da vida institucional: assumindo que o visado tomou a decisão e não o próprio Rei Felipe VI. No entanto, veio a público que se realizou, há algumas semanas, uma reunião entre a Casa do Rei e o governo, com diferentes personalidades da sociedade, para analisarem e debaterem a melhor forma de lidar com o problema da presença de Juan Carlos I no mesmo espaço que o rei e a sua família.



