Espécies da vida selvagem sofrem declínio de 68%. Pegada ecológica em Portugal está a aumentar

As populações globais de mamíferos, aves, anfíbios, répteis e peixes sofreram um declínio de 68% em menos de 50 anos, em resultado da destruição da natureza através de doenças como a Covid-19. Esta é uma das conclusões da última edição do Relatório Planeta Vivo da ‘World Wide Found’ (WWF).

Para além disso o relatório, divulgado hoje, revela ainda que em Portugal, «a retoma económica no pós troika e o aumento do turismo têm levado a um crescimento do consumo com consequências graves para a pegada ecológica média dos portugueses, que agora necessitam do equivalente a 2,52 planetas ao ano para dar resposta às suas necessidades», o que ultrapassa «largamente a biocapacidade do nosso país».

«Não podemos ignorar as evidências – o declínio grave da vida selvagem é um indicador de que a natureza está a desaparecer com graves consequência para a saúde humana. O nosso planeta está a enviar-nos a todos sinais de alerta», afirma Ângela Morgado, Directora Executiva da Associação Natureza Portugal (ANP)|WWF.

A responsável acrescenta que «no meio de uma pandemia global, é mais importante do que nunca iniciar uma acção global coordenada e sem precedentes para até 2030 haver zero perda de habitats, zero extinção de espécies e populações de vida selvagem em todo o mundo, e reduzir para metade a nossa pegada ecológica. A nossa própria sobrevivência cada vez depende mais disso».

O documento, que conta com contribuições de mais de 125 especialistas a nível mundial, mostra que a principal causa do «declínio dramático» das populações de espécies no planeta é a «perda e degradação do habitat, incluindo a desflorestação e a alteração de usos da terra, impulsionada pela forma como nós, humanos, produzimos e consumimos alimentos».

Através da análise de quatro mil espécies de quase 21 mil populações, o estudo revelou ainda que «as populações de espécies de água doce sofreram um declínio de 84% – um declínio populacional mais acentuado do que em qualquer outro bioma, equivalente a 4% por ano desde 1970».

«Sem mais esforços para neutralizar a perda e degradação de habitat, a biodiversidade global continuará a sofrer um declínio», pode ler-se no relatório, que adianta ainda que «estabilizar e reverter a perda da natureza causada pela destruição de habitats naturais pelos humanos, só será possível se esforços de conservação mais ousados e ambiciosos forem adoptados e mudanças transformacionais na forma como produzimos e consumimos forem feitas».

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