Especialistas alertam: Quem teve Covid-19 deve estar atento a sintomas de AVC. Saiba quais os primeiros sinais

Os especialistas em saúde pública estão preocupados com dois tipos da chamada ‘Covid-19 longa’, que consiste na persistência de sintomas várias semanas ou até meses após a infeção: se por um lado há quem sofra de sintomas prolongados, como o cansaço ou dificuldades respiratórias, há outra ‘versão’ mais preocupante, em que os doentes recuperam mas ficam sujeitos a um maior risco de coágulos no sangue e acidentes vasculares cerebrais (AVC).

Pedro Zagacho Gonçalves

Os especialistas em saúde pública estão preocupados com dois tipos da chamada ‘Covid-19 longa’, que consiste na persistência de sintomas várias semanas ou até meses após a infeção: se por um lado há quem sofra de sintomas prolongados, como o cansaço ou dificuldades respiratórias, há outra ‘versão’ mais preocupante, em que os doentes recuperam mas ficam sujeitos a um maior risco de coágulos no sangue e acidentes vasculares cerebrais (AVC).

Harlan Krumholz, cardiologista na Escola de Medicina da Universidade de Yale dá voz à preocupação de muitos especialistas em declarações ao The Washington Post. Ainda que não queria causar o pânico, até porque, segundo afirma, a grande maioria dos doentes que fiquem infetados com Covid-19 não desenvolverão a ‘Covid-19 longa’, sublinha que vários estudos confirmam que alguns doentes recuperados da doença desenvolvem maior risco das doenças cardiovasculares já referidas, assim como outras, como ataques cardíacos.

O especialista alerta que, em qualquer caso, como grande parte das pessoas já teve Covid, todos devemos manter-nos atentos aos primeiros sinais de um AVC:

– Dores no peito
– Inchaço anormal
– Dormência, entorpecimento ou fraqueza
– Mudanças súbitas no equilíbrio, fala ou visão

Recorde-se que, desde 2020, vários estudos vieram confirmar que a Covid-19 não é apenas uma doença respiratória, mas também afeta os vasos sanguíneos. Verificou-se que até doentes mais jovens, para além de fumadores, doentes com tensão alta ou diabetes, estavam em maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares.

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Um estudo recente, publicado no jornal de especialidade cardiovascular Heart, acompanhou 54 mil ingleses durante quatro meses e meio e concluiu que os que tinham estado infetados com Covid-19 tinham quase três vezes (2,7) mais hipóteses de desenvolver um tromboembolismo venoso (um tipo perigoso de coágulo sanguíneo) do que quem nunca tinha estado infetado pelo SARS CoV-2.

Outro estudo, publicado na Neurosurgery, concluiu que a infeção por Covid-19 estava associada a AVCs, e que AVCs que ocorressem em pessoas infetadas seriam mais graves e mais difíceis de tratar com intervenções cirúrgicas.

“Ainda não temos informação sobre se estes riscos são mitigados pela vacinação, ou se o risco elevado continua igual com a passagem do tempo. A comunidade médica sempre soube que os vírus têm efeitos duradouros, mas até esta pandemia nunca os tínhamos estudado tão a fundo”, explica Harlan Krumholz.

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Nem todos os que ficam doentes com Covid-19 vão sofrer uma inflamação grave nos vasos sanguíneos, mas a doença ainda “pode ser como uma Roleta Russa”, como explica o médico Ziyad Al-Aly. “A deteção e tratamento atempados podem salvar vidas”, sublinha o especialista, que por isso alerta os que estiveram infetados com o coronavírus para que estejam atentos a qualquer sinal de que algo possa estar errado, mesmo quem não faz parte dos grupos de maior risco de AVCs. “Há algo no SARS CoV-2 que aumenta a propensão para danos no tecido dos vasos sanguíneos, que aumenta a probabilidade de coágulos sanguíneos”, resume o médico.

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