Especialistas alertam que beber sumo de laranja para combater os dias de muito calor não é boa ideia. Saiba porquê

Com as temperaturas a subir e as ondas de calor a tornarem-se cada vez mais frequentes em Portugal, muitos recorrem a bebidas frescas para tentar aliviar o desconforto provocado pelo calor intenso.

Pedro Gonçalves
Junho 22, 2025
17:00

Com as temperaturas a subir e as ondas de calor a tornarem-se cada vez mais frequentes em Portugal, muitos recorrem a bebidas frescas para tentar aliviar o desconforto provocado pelo calor intenso. No entanto, especialistas em saúde pública deixam agora um alerta importante: o tradicional copo de sumo de laranja pode não ser a melhor escolha para hidratar o corpo em dias de calor extremo.

O aviso foi dado pela UK Health Security Agency (UKHSA), a agência britânica de saúde pública, no contexto de uma onda de calor que atinge o Reino Unido, mas os conselhos são válidos para qualquer país sujeito a temperaturas elevadas. De acordo com os especialistas, sumos de fruta, smoothies e refrigerantes açucarados devem ser evitados nestes períodos, porque, em vez de hidratar, podem contribuir para a desidratação.

«Os sumos de fruta, os smoothies e os refrigerantes podem conter níveis elevados de açúcar, o que favorece a desidratação do organismo», explicou a UKHSA num comunicado. «O ideal é limitar o consumo destas bebidas e optar por versões sem açúcar adicionado, como refrigerantes dietéticos ou de zero açúcar», acrescentaram.

O que beber para evitar a desidratação?
Os especialistas são claros quanto às melhores escolhas: água, bebidas diluídas como xaropes pouco concentrados (popularmente conhecidos como “squash”) ou leites com baixo teor de gordura são as opções mais seguras para manter uma hidratação adequada. «O importante é garantir a ingestão regular de líquidos ao longo do dia, especialmente quando se está ao ar livre ou a realizar atividades físicas», reforçou a UKHSA.

Um dos sinais mais fiáveis de que o corpo está bem hidratado é a cor da urina. «Deve beber líquidos suficientes para que a urina tenha um tom semelhante ao de palha clara», aconselharam as autoridades de saúde britânicas.

Riscos de desidratação e as consequências do calor
A desidratação ocorre quando o organismo perde mais líquidos do que aqueles que ingere, sendo um risco acrescido durante períodos de calor extremo. Se não for tratada atempadamente, pode evoluir para situações mais graves, como golpes de calor, insuficiência renal e até danos cerebrais permanentes.

Para prevenir estes problemas, além de evitar bebidas açucaradas, os especialistas recomendam também que se evite o consumo de álcool. «O álcool tem um efeito desidratante no corpo, por isso é aconselhável optar por bebidas sem álcool ou alternar as bebidas alcoólicas com copos de água», explicou a UKHSA.

Num cenário em que as temperaturas elevadas são uma ameaça cada vez mais presente nos meses quentes em Portugal, os conselhos dos especialistas tornam-se particularmente relevantes. Embora seja tentador refrescar-se com um sumo de fruta acabado de sair do frigorífico ou um refrigerante com gelo, a escolha mais acertada continua a ser a água.

Os profissionais de saúde reforçam a importância de adotar hábitos de hidratação preventiva: não esperar pela sensação de sede para beber água e adaptar o consumo de líquidos ao nível de atividade física e às condições ambientais. Em contexto de ondas de calor, estas práticas podem fazer a diferença entre o conforto e uma emergência médica.

A mensagem é clara: no combate às altas temperaturas, a água continua a ser a melhor aliada — e o sumo de laranja, apesar do seu sabor refrescante, deve ser apreciado com moderação quando o objetivo é evitar a desidratação.

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