Especialistas alertam: plano de Boris para criar “Departamento de Imigração” pode aumentar hostilidades

Os planos de Boris Johnson para criar um departamento de imigração e vistos separado do Ministério do Interior têm especialistas a temer que o ambiente hostil seja ampliado.

TitiAna Barroso

Os planos de Boris Johnson para criar um departamento de imigração e vistos separado do Ministério do Interior têm especialistas a temer que o ambiente hostil seja ampliado, avisa “The Independent”.

O primeiro-ministro está a formular propostas para criar um novo departamento de fronteiras e imigração para melhorar a segurança e a operação do sistema de vistos após o Brexit, juntamente com várias outras “grandes mudanças” na estrutura do governo, de acordo com o jornal Sunday Times.

Há poucos detalhes sobre como esta medida entraria em vigor, mas advogados e activistas alertam que, embora tenha o potencial de apresentar uma oportunidade de tornar o sistema “mais justo”, é mais provável que o foco seja o controlo mais rígido das fronteiras.

Especialistas também alertam que, se não for implementado com tempo e recursos adequados, esse movimento poderá causar um transtorno considerável e ter consequências potencialmente negativas na capacidade de fornecer serviços de imigração e vistos de maneira eficaz.

Tanja Bueltmann, uma académica especializada em migração, especulou ao “The Independent” que, a julgar pela “história recente” da abordagem do Partido Conservador à imigração, o novo departamento provavelmente quer colocar foco intensificado em “limitar números. Isto daria ao ambiente hostil ainda mais força”.

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“Temos que esperar para ver, mas se olharmos para os EUA, por exemplo, têm o Departamento de Segurança Interna e a Agência de Imigração e Fiscalização Aduaneira (Ice). Temos de estar atentos se isto se vai transformar em algo assim”, chama a atenção Tanja em declarações ao “The Independente”.

O solicitador de imigração Jonathan Kingham disse que, embora o melhor cenário seja o novo departamento “reconhecer a injustiça do sistema” e tentar criar um processo de tomada de decisão mais “justo”, o foco parece estar no controlo e na redução da migração. “Eles estão a enfatizar a segurança e assim por diante. O pano de fundo é muito voltaso para a restrição e o controlo”, acrescentou.

Omar Khan, director do Runnymede Trust, disse ao “The Independent” que tirar a responsabilidade da imigração do Ministério do Interior seria, em teoria, uma coisa boa, mas que sob a liderança de Johnson um novo departamento provavelmente não aprenderá lições de erros anteriores, como o escândalo Windrush. “O grande problema do Windrush foi as pessoas ignorarem a análise caso a caso. E nem aprenderam com os erros do passado. Johnson disse basicamente na semana passada que os imigrantes não pertencem aqui.

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Os especialistas também levantaram preocupações de que a transferência da responsabilidade sobre a imigração para fora do Ministério do Interior e para um novo departamento correria o risco de causar interrupções e transtornos no sistema.

Um porta-voz de Downing Street não confirmou os planos, mas disse que as discussões sobre as formas de fazer o governo funcionar melhor estão em andamento.

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