Especialistas alertam para riscos de segurança no armazenamento de botijas de gás em casa. Estas são as ‘regras de ouro’

As explosões recentes registadas na Finlândia reacenderam as preocupações sobre a utilização de gases combustíveis em contexto doméstico e profissional. Nas últimas semanas, vários incidentes graves, ainda sob investigação, chamaram a atenção para riscos associados a fugas, deficiências na manutenção ou erros no transporte de botijas de gás.

Pedro Gonçalves
Novembro 15, 2025
12:30

As explosões recentes registadas na Finlândia reacenderam as preocupações sobre a utilização de gases combustíveis em contexto doméstico e profissional. Nas últimas semanas, vários incidentes graves, ainda sob investigação, chamaram a atenção para riscos associados a fugas, deficiências na manutenção ou erros no transporte de botijas de gás.

Um dos casos que mais alarmou a população ocorreu em Mellunmäki, nos arredores de Helsínquia, onde uma carrinha explodiu de forma súbita, ficando totalmente destruída e reduzida ao chassis. Duas pessoas ficaram feridas. Noutro episódio, em Joroinen, uma explosão violenta provocou a morte de um homem e de uma mulher, deixando o veículo parcialmente carbonizado.

Apesar da inquietação gerada, os especialistas insistem que o uso destes produtos continua seguro quando respeitadas as regras essenciais. Petri Pakkanen, do Centro Finlandês de Segurança e Saúde no Trabalho, afirmou ao jornal Iltalehti que “apesar destes lamentáveis acidentes, deve considerar-se que o uso e transporte de gases é, em geral, muito seguro, já que não se têm registado lesões graves semelhantes”. As explosões, sublinha, não devem ser interpretadas como sinal de risco generalizado, mas sim como lembrete da importância de boas práticas.

O gás liquefeito de petróleo (GLP) é um dos mais utilizados em ambiente doméstico e é comum em grelhadores, caravanas, embarcações ou habitações isoladas sem ligação à rede elétrica. Pakkanen explica que as botijas devem ser mantidas em posição vertical tanto no uso como no armazenamento, garantindo que o gás chega ao exterior em fase gasosa — e não líquida —, prevenindo situações de risco.

O especialista lembra também que o GLP consome oxigénio durante a combustão, o que torna fundamental utilizá-lo apenas em espaços abertos ou amplamente ventilados. Caso a combustão seja incompleta, pode formar-se monóxido de carbono, um gás inodoro, invisível e potencialmente mortal. Como medida adicional de segurança, recomenda a instalação de detetores de GLP e de monóxido de carbono, considerados essenciais para prevenir intoxicações e acidentes.

A orientação é igualmente clara quanto ao armazenamento: as botijas devem permanecer em locais ventilados, afastadas de fontes de ignição e com sinalização exterior que identifique a presença de recipientes de gás.

Além do GLP, os lares e locais de trabalho recorrem frequentemente a outros gases como oxigénio, dióxido de carbono ou acetileno. Segundo Pakkanen, cada um deles apresenta riscos distintos: o oxigénio não é inflamável, mas pode agravar incêndios caso escape para a atmosfera; o dióxido de carbono e algumas misturas podem deslocar o oxigénio e provocar asfixia.

As botijas devem estar bem fixas, sempre na vertical, e sujeitas a revisões regulares das mangueiras, válvulas e reguladores. Para detetar fugas, é possível recorrer a água com sabão ou a dispositivos comerciais próprios para esse efeito.

Durante o transporte, as precauções tornam-se ainda mais rigorosas. As válvulas devem permanecer fechadas, e é aconselhável retirar os reguladores de pressão, protegendo também as bocas dos cilindros. Caso o gás seja transportado dentro de um veículo, o recipiente deve ficar solidamente preso, evitando deslocamentos bruscos ou danos em caso de travagem ou colisão.

Pakkanen resume a equação de segurança à prevenção: “Um manuseamento cuidadoso, um armazenamento adequado e um controlo regular do equipamento são suficientes para garantir a segurança do gás no lar.”

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