Especialista diz que é muito cedo para comemorar progresso na vacina da Pfizer. Saiba porquê

O responsável prefere ter cautela e esperar para ver os dados subjacentes à investigação, para depois apoiar ou não a alegação de eficácia da vacina em questão.

Simone Silva

William Haseltine, especialista em biotecnologia e doenças infeciosas, considera que ainda é muito cedo para comemorar o progresso alcançado pela vacina da Pfizer e do BioNTech, que ontem mostrou uma eficácia de 90% contra a Covid-19, avança o ‘Business Insider’.

O responsável prefere ter cautela e esperar para ver os dados subjacentes à investigação, para depois apoiar ou não a alegação de eficácia da vacina em questão. Haseltine já tinha criticado outros candidatos, nomeadamente a Moderna, por divulgar os resultados do estudo em comunicados à imprensa antes de conhecer dados detalhados.

A análise foi baseada em 94 casos de COVID-19 entre os participantes do estudo, mas a Pfizer não partilhou uma divisão exata de quantos adoeceram ao receber a vacina da Pfizer. O comunicado também não especifica quantos casos foram graves ou ligeiros ou se as diferentes faixas etárias tinham níveis variados de proteção, o que leva à prudência do especialista.

Haseltine é um ex-professor de medicina de Harvard e fundador de dois centros de pesquisa focados em doenças como HIV / AIDS e cancro. O especialista em virologia e doenças infeciosas é agora o presidente da Access Health International, uma organização de saúde sem fins lucrativos.

Durante a pandemia, o responsável defendeu que os EUA adotassem uma estratégia de teste abrangente, dizendo anteriormente que a resposta do país dependia abertamente de uma vacina. Em relação aos dados da Pizer, considera «uma notícia muito bem-vinda», no entanto sublinha que ainda há muito a aprender. «Existem muitas, muitas questões pendentes que não foram respondidas», acrescentou.

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A maioria das perguntas está relacionada com as limitações do estudo, uma vez que este foi projetado para verificar se havia menos casos sintomáticos de COVID-19 em pessoas que receberam a vacina em vez das restantes.

Contudo, o ensaio da Pfizer e os estudos em desenvolvimento de outros fabricantes de vacinas contra o coronavírus não estão a testar voluntários regularmente para avaliar infeções assintomáticas. Isso pode significar que as pessoas vacinadas ainda podem ser portadoras assintomáticas e, sem saber, espalhar o vírus.

Mais uma vez, as descobertas do estudo são limitadas, segundo Haseltine, pelo facto de que não mencionam se a vacina se mostra eficaz em diferentes subgrupos, como pessoas mais velhas, que são mais suscetíveis aos piores resultados do vírus.

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