Espanholas Sacyr, FCC, Ferrovial e ACS ‘disputam’ bolo de 3 mil milhões de euros do projeto da alta velocidade em Portugal

Construtoras espanholas estão de olhos postos no maior projeto de infraestruturas a concurso em 2023 na Península Ibérica

Francisco Laranjeira
Março 29, 2023
15:38

As construtoras espanholas estão de olhos postos no maior projeto de infraestruturas a concurso em 2023 na Península Ibérica: a linha de comboio de alta velocidade que vai ligar Lisboa e Porto. De acordo com o jornal espanhol ‘El Economista’, grandes grupos como o ACS, Ferrovial, Sacyr, FCC, OHLA e Acciona, assim como outros de média dimensão (Comsa), estão a delinear consórcios para disputar as primeiras licitações, cujo desenvolvimento está estruturado em três fases, com um fim previsto em 2030, e um orçamento total de 11 mil milhões de euros.

As empresas espanholas negoceiam entre si, nalguns casos, e com empresas portuguesas alianças para concorrer aos dois primeiros concursos, que deverão arrancar este verão. Mais concretamente, o troço entre Porto e Aveiro (1,65 mil milhões de euros) e entre Aveiro e Soure (1,3 mil milhões de euros) – os dois contratos atingem quase 3 mil milhões de euros, sendo que o Governo português obteve mil milhões de euros de fundos europeus para o seu financiamento.

A Sacyr, que em Portugal tem duas filiais de referência no sector da construção – Somague e Neopul -, está na liderança do processo, tendo já fechado um acordo para que as duas filiais se unam às portuguesas DST e ACA Engenharia & Construção. A Mota-Engil, Teixeira Duarte, Casais, Conduril, Gabriel Couto e Alves Ribeiro estão também envolvidos no processo.

Na área ferroviária, são várias as empresas espanholas que executaram – ou estão a fazê-lo – em Portugal. Destaque para a Sacyr, a quem foi adjudicada a construção de uma linha férrea de 40 quilómetros entre Lisboa, Sines e Setúbal com Espanha, através de Badajoz. A FCC, por seu lado, iniciou no verão passado os trabalhos de modernização do troço da Linha do Oeste entre Torres Vedras e Caldas da Rainha. Foi também responsável pela reabilitação e modernização de um troço de 46 quilómetros da linha férrea da Beira Baixa, entre a Covilhã e Guarda. Da mesma forma, a Ferrovial acumula uma longa história no mercado português, tendo realizado obras ferroviárias desde o século passado. Em 2020, foi adjudicado o contrato de expansão do metro do Porto por 288 milhões.

A ACS, por sua vez, conquistou em 2009 a maior empreitada alguma vez conseguida por uma construtora espanhola no país, embora tenha sido cancelada: liderou o consórcio que concretizou o projeto de construção e exploração durante 40 anos por 1,7 mil milhões de euros de um troço de 167 quilómetros da linha de alta velocidade no eixo Madrid-Lisboa.

O objetivo do Governo português passa por ligar Lisboa e Porto em alta velocidade, com o objetivo de ligar também a Vigo, e assim ligar o país à AVE – o projeto, com um percurso de cerca de 300 quilómetros, está dividido em três fases.

A primeira ligará o Porto a Soure e este troço ficará concluído em 2028, reduzindo o tempo de viagem até Lisboa para uma hora e 59 minutos. A segunda, entre Soure e o Carregado, decorrerá entre 2026 e 2030 e reduzirá o tempo para uma hora e 19 minutos. E a terceira, para Lisboa, está prevista a partir de 2030 para fixar a viagem em uma hora e 15 minutos.

Paralelamente, entre 2026 e 2030 fará a ligação entre o Porto e Vigo, em duas fases, para deixar a viagem em 50 minutos.

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