Espanha pode avançar com recolher obrigatório. Governo está a ponderar medida a nível nacional

O Governo espanhol está a estudar a hipótese de implementar um toque de recolher a nível nacional, depois de a comunidade de Madrid já ter confirmado esta medida, na quarta-feira, de acordo com o jornal espanhol ‘La Vanguardia’.

Depois de Itália, França e Bélgica terem imposto a medida no passado sábado, primeiramente Madrid, e agora o Governo de Espanha, coloca a hipótese em cima da meda, com o objetivo de controlar a subida de novos casos no país, que parece não abrandar.

A medida implica restringir a deslocação a qualquer cidadão do território em que seja imposto o toque de recolher, bem como a possibilidade de permanecer ou circular livremente pelas ruas, a menos que tenham uma causa justificada , devidamente prevista no seu decreto.

No caso de Espanha, segundo o jornal, para aprová-lo, seria necessário implementar um regime de Estado de Emergência como o de março, embora com medidas mais ligeiras do que um ‘confinamento restrito.

Madrid confirmou medida na quarta-feira

O ministro da Saúde de Madrid, Enrique Ruiz Escudero, confirmou na quarta-feira que está a ser preparada uma ordem para restringir a mobilidade entre a meia-noite e as 6 da manhã, quando o estado de emergência terminar, no sábado, segundo avançou na altura o El País.

O Presidente da Comunidade Valenciana, Ximo Puig, também defendeu esta medida, depois da região ter atingido o número máximo de infeções diárias na terça-feira, com 1382 casos.

O Presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García Page, pediu esta terça-feira “medidas restritivas e iguais para toda a Espanha” e assegurou que estaria disposto a aceitar o recolher obrigatório se fosse decidido por unanimidade na reunião interterritorial, a realizar na quinta-feira.

Itália, França e Bélgica já adotaram a medida em algumas cidades

A região da Lombardia, no norte da Itália, vai impor a partir desta quinta-feira o toque de recolher obrigatório das 23 às 5 horas da manhã para conter o número de infeções, que disparou nas últimas semanas e está a causar problemas no serviço de saúde.

O Presidente da região, Attilio Fontana, explicou que os autarcas solicitaram este tipo de medida para evitar o aumento das infeções. «Decidimos emitir uma cláusula que determina que das 23h00 às 5h00 as atividades sejam encerradas e as pessoas estejam em casa».

Desta forma, «exceto em casos de emergência, trabalho ou saúde, (as pessoas) não vão poder circular pelas ruas da Lombardia (neste período) para tentar impedir uma das causas do contágio: os encontros noturnos, as festas e tudo o que não conseguimos controlar porque não temos um número suficiente de agentes policiais», acrescentou Fontana.

O Presidente Francês, Emmanuel Macron, anunciou na semana passada a aplicação do recolher obrigatório em nove regiões. Um medida que entrou em vigor no passado sábado e pode vir a durar até seis semanas, até dia 01 de dezembro.».

«O nosso objetivo é reduzir os contactos privados, ou seja, quando estamos mais à vontade. Vamos estar com pessoas que não fazem parte do nosso círculo familiar. É quando estamos mais próximos que há mais risco, portanto o recolher obrigatório é pertinente», afirmou o Presidente.

O recolher obrigatório foi instaurado entre as 21:00 e as 06:00 na região de île de France (região parisiense), Lille, Ruão, Saint-Etienne, Toulouse, Lyon, Grenoble, Aix-en-Provence e Montpellier.

A Bélgica seguiu o mesmo caminho e decretou na passada sexta-feira o recolher obrigatório em todo o território – entre as 00h e as 5h – e o encerramento de bares e restaurantes, para combater o que qualificou de “aumento exponencial” dos casos de Covid-19.

Referindo que “os números são alarmantes e significativamente mais elevados do que em março e em abril”, altura em que foram tomadas “medidas duras”, o primeiro-ministro, Alexander de Croo, referiu que a missão do governo belga é a de “fazer baixar esses números”.

Segundo dados divulgados esta sexta-feira, a Bélgica registou, entre os dias 6 e 12 de outubro, uma média diária de 5.976 novas infeções, um aumento de 96% relativamente à semana anterior, para um total de 191.959 casos desde o início da pandemia e um balanço de 10.327 mortes.

 

 

 

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