Espanha: Bebé de 13 meses recebe primeiro transplante de intestino do mundo com técnica inédita

Segundo as autoridades de saúde, a menina já está em casa, de “perfeita saúde” e recuperada. Recebeu órgão de uma pessoa morta.

Pedro Zagacho Gonçalves

O hospital público madrileno de La Paz fez história: foi nesta unidade de saúde na capital de Espanha que foi realizado com êxito, pela primeira vez no mundo, um transplante multivisceral de uma doação em assistolia controlada a uma bebé de apenas 13 meses que, entretanto, já teve alta e esta de “perfeita saúde” em casa. A menina em causa recebeu um transplante de intestino, com o órgão doado por uma pessoa morta.

A notícia foi dada pelo ministro da Saúde espanhol, Enrique Ruiz Escudero, numa conferência de imprensa com o diretor da Organização Nacional de Transplante, Beatriz Domínguez-Gil, os médicos e profissionais de saúde do hospital e os pais da criança que recebeu o transplante.

A doação “em assistolia” significa que a doação de órgãos e/ou tecidos vem de uma pessoa a quem já foi diagnosticada a morte, após confirmação da paragem de todas as funções cardiorrespiratórias de forma irreversível. Os órgãos são depois preservados com um sistema de oxigenação extracorporal.

Esta técnica, até aqui inédita em todo o mundo num transplante de intestino, torna “possível o uso de órgãos saudáveis que, de outra forma, seriam desperdiçados”, salientam as autoridades de saúde espanholas.

A bebé que recebeu o transplante estava desde o primeiro dia de vida com uma falência intestinal e corria risco de vida. Ainda que 30% dos candidatos a transplante morram nas listas de espera, o transplante de um intestino de doação assistólica nunca foi usado, já que era considerado inválido, tendo em conta as características do órgão. Mas a evidência científica não provava que não fosse possível o que motivou o Grupo de Malformações Congénitas e Transplantes do Instituto de Investigação em Saúde do Hospital de La Paz a trabalhar durante três anos neste projeto de investigação, que agora concretizou um sucesso.

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Segundo foi revelado, depois de experimentação de que o intestino era viável para transplante, o órgão foi levado para o hospital e transplantado, por uma equipa multidisciplinar, que incluiu especialistas em gastroenterologia, cirurgia pediátrica, cirurgia pediátrica cardíaca, cuidados intensivos pediátrico, anestesiologia, entre outros, do Hospital de La Paz.

A técnica agora usada permite que, após confirmação da morte do dador, os órgãos sejam preservados com a perfusão de sangue oxigenado através de um sistema de Membrana de Oxigenação Extracorporal (ECMO), para que o órgão a ser transplantado não se deteriore.

A mesma técnica, mas com órgãos diferentes, foi usada pela primeira vez no Hospital de La Paz em 2014, em adultos, e em pacientes infantis em 2021.

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