O Governo espanhol apresentou esta terça-feira o seu ‘Plano + Segurança Energética’, com o qual pretende fazer face à crise energética e garantir o abastecimento para o inverno. Ao todo, são 73 medidas estruturadas em seis blocos – economia e eficiência; promoção da transição energética; proteção de consumidores, famílias e empresas vulneráveis; tributação; autonomia estratégica; e solidariedade com os restantes vizinhos da UE – que estabelece como meta reduzir o consumo de gás natural entre 5,1% e 13,5% até março de 2023.
A ministra da Transição Energética, Teresa Ribera, sublinhou, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros as medidas já tomadas, como regular os termóstatos ou desligar as luzes à noite, para além dos diferentes descontos na fatura.
Entre as medidas do plano, está uma ferramenta que vai permitir as famílias a comparar o seu consumo energético com os vizinhos com o objetivo de estimular a poupança. O Governo vai também obrigar as empresas elétricas a informarem claramente sobre a compensação derivada do teto no preço do gás — a exceção ibérica —, conceito que até agora era pouco detalhado nas faturas.
No plano, o Governo comprometeu-se ainda a publicar boletins mensais sobre a evolução dos consumos de gás e eletricidade, bem como o impacto da exceção ibérica e o grau de cumprimento dos planos de poupança das comunidades autónomas e das grandes empresas. Será apoiado por medidas de promoção das energias renováveis, que vão receber uma injeção adicional de fundos públicos de 500 milhões de euros, para além dos 900 aprovados no ano passado.
O Executivo pretende reduzir o consumo de gás, embora Ribera tenha feito referência no seu discurso à grande exportação de electricidade para Portugal e, sobretudo, França neste verão, o que coloca Espanha a utilizar as suas centrais de ciclo combinado (a gás) mais do que nunca. Espanha acordou com Bruxelas um corte de pelo menos 6,4% no consumo de gás, uma meta que não está a conseguir cumprir devido ao forte aumento das exportações de eletricidade para França – que tem quase metade da sua capacidade nuclear parada – e para Portugal – em plena seca que afetou a capacidade hidráulica.
Segundo os cálculos, Espanha contribuiu com cerca de 35% do total de eletricidade consumida nas últimas semanas por Portugal e “entre 4% e 5%” do que a França consomiu. “Espanha tornou-se uma bateria para o sistema elétrico português e uma garantia para a segurança do abastecimento elétrico francês”, salientou a responsável do Governo espanhol. “O que explica, em grande parte, o aumento do consumo de gás natural no sistema elétrico. Se estas exportações forem descontadas, haveria uma diminuição muito significativa do gás usado para gerar eletricidade na Espanha.”













