Eslovénia pode sair da NATO… ou mesmo da UE? Novo líder quer referendo e agita alianças na Europa

A proposta surge acompanhada de uma visão mais ampla: Stevanović quer uma Eslovénia mais independente e soberana nas decisões internacionais. “Ljubljana deve voltar a ser o centro de decisão, e não Bruxelas”, declarou, numa crítica direta às instituições europeias

Francisco Laranjeira

A Eslovénia pode tornar-se o mais recente ponto de fricção na arquitetura de segurança europeia. O novo presidente do Parlamento, Zoran Stevanović, anunciou a intenção de avançar com um referendo sobre uma eventual saída do país da NATO, num movimento que está a gerar preocupação entre aliados, escreve o ‘Kyiv Post’.

“Prometemos ao povo um referendo sobre a saída da NATO e vamos realizá-lo”, afirmou o líder do partido Verdade, defendendo uma mudança de rumo na política externa do país.

A proposta surge acompanhada de uma visão mais ampla: Stevanović quer uma Eslovénia mais independente e soberana nas decisões internacionais. “Ljubljana deve voltar a ser o centro de decisão, e não Bruxelas”, declarou, numa crítica direta às instituições europeias.

Apesar disso, o responsável reconhece que uma eventual saída da União Europeia dificilmente teria apoio popular, sublinhando os benefícios económicos que o país retira da integração no bloco.

O plano insere-se numa agenda mais vasta de reposicionamento estratégico. O partido de Stevanović defende também a retirada da Organização Mundial da Saúde e uma menor participação em conflitos militares ou diplomáticos externos, argumentando que essas intervenções não servem os interesses nacionais.

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Mais adiante, o ‘Kyiv Post’ destaca outro sinal relevante: o líder esloveno admite uma visita a Moscovo no futuro, além de deslocações já previstas a capitais europeias. O objetivo, diz, é “construir pontes” num contexto de crescente divisão entre Ocidente e Oriente.

A iniciativa surge num momento particularmente sensível para a NATO, já sob pressão devido a críticas recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O líder americano chegou a classificar a aliança como um “tigre de papel” e sugeriu que a permanência dos EUA pode ser reavaliada, sobretudo face a divergências com aliados sobre o conflito com o Irão e questões de segurança energética.

Também o secretário de Estado Marco Rubio admitiu que Washington poderá “reexaminar” a relação com a NATO, alimentando incertezas sobre o futuro da organização.

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Neste contexto, a proposta da Eslovénia ganha uma dimensão mais ampla. Um eventual referendo — mesmo que não resulte numa saída — poderá abrir um precedente político num momento em que a coesão da NATO enfrenta novos desafios.

Para já, o debate está lançado. E coloca uma questão central para a Europa: até que ponto a unidade militar do continente pode resistir a pressões internas… e externas?

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