Escolas nos EUA reabriram há 11 dias e já registam dezenas de infectados com a Covid-19

Numa altura em que os Estados Unidos decidiram reabrir as escolas, depois de terem estado encerradas devido à pandemia do novo coronavírus, são já dezenas os alunos e professores que contraíram o vírus, num cenário preocupante para o universo escolar, avança o ‘Business Insider’.

Cerca de 11 dias depois da reabertura, são já muitos os surtos em estabelecimentos de ensino, como é o caso de uma escola na localidade de Corinto, onde pelo menos seis alunos e um professor foram infectados com a Covid-19, obrigando à quarentena de outras 115 pessoas que tiveram contacto próximo com os doentes.

Contudo, este não é um caso isolado. À medida que as escolas nos Estados Unidos começam a reabrir, são já muitos os distritos que têm registado surtos da doença.

Outro exemplo é uma escola no condado de Cherokee, na Geórgia, onde três alunos deram positivo e uma turma do jardim de infância foi enviada para casa, de quarentena, depois de um professor ter apresentado sintomas.O mesmo aconteceu no Louisiana, Indiana e outras regiões do Estados Unidos.

Juntos, todos estes pequenos surtos destacam os riscos da reabertura de escolas, na mesma altura em que os EUA continuam a relatar números elevados de casos diários. A média de sete dias do país ainda ultrapassa os 50 mil novos casos por dia.

Mais de 80% dos norte-americanos vivem numa região onde uma escola de 500 alunos ou mais registou pelo menos uma infecção de Covid-19 na primeira semana de reabertura , de acordo com uma análise recente do ‘New York Times’.

Embora as crianças tenham menos probabilidade de desenvolver casos graves de coronavírus, evidências crescentes sugerem que os mais pequenos são vectores de transmissão do vírus, tal como confirmou Maria Van Kerkhove, especialista em doenças infecciosas da Organização Mundial de Saúde (OMS). «Já sabemos que pode acontecer», afirmou na quinta-feira relativamente ao risco de transmissão.

«Na maior parte dos casos as crianças tem apenas uma doença ligeira, ainda assim algumas chegaram a morrer e sabemos que as crianças podem transmitir o vírus, mas ainda estamos a aprender», sublinhou a responsável.

Van Kerkhove reforçou ainda que «as escolas são um universo comunitário, se existe transmissão comunitária, pode haver também transmissão nos estabelecimentos de ensino. Não estamos só preocupados com as crianças mas com todos os que trabalham dentro da escola».

«Uma comunidade deve diminuir a taxa de transmissão para poder reabrir as escolas», afirmou a especialista enumerando também outros factores a ter em conta, como a reorganização das turmas, «quantas crianças existem em cada sala de aula, se é possível cumprir distância social, lavar as mãos».

«Se o vírus continua a circular dentro da comunidade, as escolas são parte dela e por isso o vírus pode entrar nos estabelecimentos e há que ter em conta todos esses factores», refere a responsável da OMS.

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