Escassez global de chips ameaça produção de smartphones, torradeiras, micro-ondas (e outros eletrodomésticos)

A crescente escassez global de chips (semicondutores) está a espalhar-se para os fabricantes de smartphones, televisões e outros eletrodomésticos, à medida que as empresas aumentam os seus stocks para os quais a procura tem disparado.

Simone Silva

A crescente escassez global de chips (semicondutores) está a espalhar-se para os fabricantes de smartphones, televisões, mas também torradeiras, micro-ondas e até máquinas de lavar, à medida que as empresas aumentam os seus stocks para os quais a procura tem disparado, avança o ‘Financial Times’.

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Os fornecimentos de chips foram levados ao limite devido a um aumento das vendas de produtos eletrónicos durante a pandemia e a perturbações nas grandes instalações de produção. Mas a escassez tem sido exacerbada pela acumulação de stocks de grupos chineses, o que dificulta o acesso de algumas empresas a componentes para produtos como máquinas de lavar, micro-ondas e torradeiras.

A LG Electronics e a Samsung Electronics da Coreia do Sul estão entre os grupos mais atingidos pelos atrasos de fabrico, que deverão durar até 2022, adianta o jornal. A LG anunciou que a escassez de chips constitui um risco à produção de eletrodomésticos. “Estamos a analisar a situação, uma vez que nenhum fabricante será poupado ao problema se este for prolongado”, disse a empresa ao ‘Financial Times’.

A produção de processadores mais simples que realizam tarefas tais como pesar a roupa numa máquina de lavar ou dourar o pão numa torradeira inteligente também tem sido afetada. “As encomendas de chips utilizados em smartphones, televisões, máquinas de lavar, torradeiras e outros eletrodomésticos estão a exceder a nossa capacidade”, reconheceu um executivo da DB HiTek, que produz semicondutores utilizados nos iPads da Apple.

Já a Samsung começou a cortar encomendas para alguns componentes de smartphones este mês, de acordo com dois dos seus principais fabricantes, depois de o maior produtor mundial de chips de computador ter alertado em março para um “grave desequilíbrio na oferta e procura”.

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“Há uma escassez de processadores para aplicações, ecrãs e sensores de câmara. Isto está a causar uma quebra de encomendas da Samsung neste trimestre”, lamentou um grande fornecedor da empresa coreana de peças para smartphones, citado pelo jornal. “As quedas temporárias nas vendas são inevitáveis, mas esperamos que a situação melhore a partir de Junho”, acrescentou.

Koh Dong-jin, co-CEO da divisão móvel da Samsung, alertou para potenciais problemas no segundo trimestre devido à escassez de chips. No mês passado admitiu que a empresa poderá ter de adiar o lançamento do seu smartphone topo de gama para o próximo ano. A Samsung é também um dos principais fabricantes de semicondutores.

A escassez obrigou as empresas a fazer encomendas com vários fabricantes, um fenómeno conhecido como “duplo stock”, segundo um especialista da indústria, que acredita que a crise foi exacerbada pela acumulação de stocks por parte de empresas chinesas, que se preparam para novas sanções dos EUA.

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, que tem funcionado acima da capacidade, estima que a escassez de chips irá durar até 2022. A empresa pretende investir 100 mil milhões de dólares ao longo de três anos para expandir a capacidade.

Nanya Technology, o principal fabricante de chips de memória de Taiwan, anunciou na terça-feira planos para construir uma fábrica no país no valor de 10 mil milhões de dólares para aliviar a escassez e fazer face à crescente procura de componentes relacionados com 5G.

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No entanto, os analistas acreditam que a escassez pode acabar tão rapidamente como começou se os gastos em eletrónica voltarem a diminuir à medida que a pandemia for ficando sob controlo. Segundo Stacy Rasgon, analista de semicondutores da Bernstein, “é aí que os investidores saberão quão real é efetivamente a procura”.

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