Escassez de alojamento estudantil atinge nível crítico. Faltam 119 mil camas em Portugal

Em comunicado, a consultora imobiliária CBRE refere que existem atualmente cerca de 227 mil estudantes que necessitam de alojamento em Portugal, incluindo aproximadamente 147 mil estudantes nacionais deslocados e mais de 80 mil estudantes internacionais

Executive Digest

Portugal enfrenta um défice de cerca de 119 mil camas para estudantes deslocados e internacionais, segundo um estudo divulgado pela consultora imobiliária CBRE, que aponta para uma procura muito superior à oferta disponível de alojamento estudantil especializado.

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Em comunicado, a empresa refere que existem atualmente cerca de 227 mil estudantes que necessitam de alojamento em Portugal, incluindo aproximadamente 147 mil estudantes nacionais deslocados e mais de 80 mil estudantes internacionais.

Segundo a CBRE, a oferta disponível resume-se a cerca de 28 mil camas em residências universitárias públicas e privadas, obrigando cerca de 119 mil estudantes a recorrer ao mercado tradicional de arrendamento, aumentando a pressão sobre a habitação nas principais cidades universitárias.

A consultora sublinha que, mesmo com a entrada prevista de cerca de 3.000 novas camas até 2027, sobretudo em Lisboa e no Porto, a oferta continuará insuficiente para acompanhar o crescimento da procura, mantendo Portugal entre os países europeus com menor taxa de cobertura neste segmento.

Em comunicado, Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE Portugal, afirma que o mercado português de alojamento estudantil apresenta “fundamentos extremamente sólidos” e continua a atrair investidores internacionais devido ao forte desequilíbrio entre procura e oferta.

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Segundo a empresa, este contexto contribuiu para captar cerca de 1,2 mil milhões de euros de investimento desde 2019, dos quais 98% tiveram origem em capital internacional, sobretudo proveniente do Canadá, Bélgica e Estados Unidos.

A análise da CBRE refere ainda que as rendas medianas nas residências privadas para estudantes se situam atualmente nos 855 euros mensais em Lisboa e nos 745 euros no Porto. Apesar destes valores, a consultora destaca que Portugal continua a apresentar preços inferiores aos registados em cidades como Londres, Dublin, Milão ou Madrid.

O estudo aponta igualmente para fortes assimetrias regionais. Em comunicado, a CBRE refere que cerca de 90% da oferta privada de alojamento estudantil está concentrada em Lisboa, Porto e Coimbra, enquanto distritos como Vila Real, Castelo Branco e Évora continuam a registar elevadas taxas de estudantes deslocados, mas permanecem com uma oferta reduzida de residências especializadas.

Segundo a consultora, o mercado português continua a despertar interesse crescente por parte dos investidores, com um volume médio anual de investimento próximo dos 200 milhões de euros desde 2019 e um aumento do interesse por ativos já estabilizados e plataformas de alojamento estudantil.

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