“Depois de me ter registado, não demorou nem um minuto até ser assediada verbal e sexualmente”. A denúncia é de Nina Jane Patel, uma investigadora britânica que garante ter sido vítima de uma violação virtual nessa experiência nova do Facebook chamada Metaverso. “Um pesadelo”, sublinha, citada pelo diário espanhol La Vanguardia, relatando que pelo menos três avatares “com vozes masculinas” praticamente “violaram” o seu avatar, ao mesmo tempo que “tiravam fotografias” e gritavam “não finja que não gosta”.

De 43 anos, Patel aceitou participar na versão de teste do jogo “Horizon Worlds” como parte do processo de pesquisa que está a conduzir sobre o tema para a Kabuni Ventures, uma empresa que promete as mais diversas experiências imersivas na área da educação. Mas, perante o que “viveu”, não tem meias palavras: a sua experiência foi “chocante” e absolutamente “inaceitável” nos dias de hoje.
O pior? Os comentários que recebeu à sua queixa, com uma infinidade de acusações e recriminações – desde ” a solução é não haver avatares femininos” até “deixar de ser estúpida que nada ali é real”.
Ora é exatamente a essa fronteira entre realidade e ficção que Patel quer levar a questão – lamentando acima de tudo que experiências como esta sejam dominadas por ficções em que a “violência, as fantasias sexuais e o ódio” prevalecem.
Além disso, casos semelhantes parecem efetivamente ser mais comuns no mundo do Metaverso do que suspeitamos. Logo no início de dezembro, quando o Facebook abriu o acesso ao “Horizon Worlds”, foi logo tornado público uma queixa de um outro participante nos testes da aplicação. “O assédio sexual não é brincadeira na Internet, e a realidade virtual acrescenta-lhe outra camada, mais intensa”, descreveu. ” Não só fui ‘apalpado’ como havia outras pessoas a apoiar este tipo de comportamento”.
A resposta oficial ainda incitou mais a controvérsia. Em declarações ao portal de notícias americano The Verge, o vice-presidente da Horizon Worlds, considerou que se tratava apenas de um “incidente absolutamente infeliz” e culpou ainda o utilizador por não bloquear as interacções com outros avatares – a medida de segurança apresentada pelo Metaverso.












