Um escândalo envolvendo alegações de fome e falhas graves no apoio logístico às tropas está a abalar o exército ucraniano. Fotografias de militares visivelmente emagrecidos, que serviam na 14.ª brigada, vieram a público e desencadearam uma reação imediata do Estado-Maior-General, que afastou um comandante e despromoveu outro.
Os dois oficiais responsáveis pelos militares foram acusados de não terem reportado a situação real ao comando superior. As imagens, divulgadas online, mostravam soldados de infantaria em estado de debilidade física acentuada.
Segundo os relatos divulgados, os soldados do segundo batalhão da 14.ª brigada, destacados na região de Kharkiv, na frente de combate junto ao rio Oskil, estavam a beber água da chuva e chegaram a desmaiar devido à fome.
Num comunicado emitido na sexta-feira, o Estado-Maior-General explicou que “ataques aéreos e com mísseis sistemáticos do inimigo às travessias sobre o rio Oskil complicaram significativamente o apoio logístico às tropas na zona da cidade de Kupiansk”. De acordo com a mesma nota, o abastecimento na área é assegurado por embarcações e por UAV pesados (veículos aéreos não tripulados).
Apesar de os comandantes da 14.ª brigada estarem empenhados em reforçar as defesas antiaéreas e em proteger as tropas na linha da frente contra ataques com drones, falharam, segundo o Estado-Maior, ao não comunicarem o verdadeiro estado da situação no terreno à liderança militar.
O comando superior afirmou que desconhecia os problemas de abastecimento alimentar da brigada e confirmou a abertura de uma investigação ao comportamento dos comandantes envolvidos. Quanto aos militares afetados, garantiu que “assim que a situação o permitir, serão evacuados”.
“Vergonha horrível de gestão”, diz força conjunta
A Força-Tarefa Conjunta (Joint Forces Task Force – JFTF), unidade criada no ano passado para liderar as tropas na região de Kharkiv, classificou a situação como uma “vergonha horrível de gestão”.
Em comunicado divulgado também na sexta-feira, a JFTF considerou que o caso resulta de “decisões de gestão de longo prazo ao nível do corpo de exército e da sua interação com as unidades”. Acrescentou ainda que, “ao mesmo tempo, foram ouvidos relatórios a vários níveis de que a situação estava organizada e controlada, o que, como todos viram, não corresponde à realidade”.
A força conjunta anunciou que está a trabalhar ativamente para resolver o problema, com o envio imediato de abastecimentos adicionais para as posições da 14.ª brigada. Apelou ainda aos comandantes no terreno para que não ocultem dificuldades ao comando central.
“O principal é preservar as pessoas e uma atitude humana para com elas; tudo o resto pode ser corrigido através de um trabalho sistemático”, sublinhou a JFTF.
Novo comandante promete medidas urgentes
O serviço de imprensa da 14.ª brigada informou que o novo comandante, coronel Taras Maksimov, está a adotar “medidas intensivas para corrigir a situação”.
“A vida e a saúde de cada militar são uma prioridade absoluta! O comando da unidade militar está em contacto com as famílias dos militares. A situação permanece sob controlo especial do comandante da brigada até estar totalmente resolvida”, acrescentou a brigada.
A polémica surge num contexto em que a zona de combate na frente de guerra se tem vindo a expandir devido ao uso intensivo de drones. Segundo relatos anteriores, formou-se uma área cinzenta de caos que se estende por cerca de 20 quilómetros a partir da linha da frente, onde o transporte de munições, alimentos e água para as tropas em combate se tornou extremamente difícil.







