Escândalo de corrupção: Eva Kaili fica na cadeia mais uma semana devido a greve dos serviços prisionais

Ex-vice-presidente do Parlamento Europeu deveria ter sido ouvida em tribunal esta quarta-feira.

Pedro Zagacho Gonçalves

A ex-presidente do Parlamento Europeu, Eva Kaili, principal suspeita no caso de suspeitas de corrupção em Bruxelas conhecido como ‘Qatargate’, vai ficar em prisão preventiva durante pelo menos mais uma semana, até à próxima quinta-feira.

A grega, que é uma das suspeitas num esquema de alegado pagamento de subornos, por parte do Qatar, para que figuras do Parlamento Europeu, ONG e associações interviessem nas instituições europeias a favor daquele país árabe, foi detida na semana passada e esta terça-feira estava agendado que marcasse presença num tribunal belga, para que um juiz reavaliasse a sua medida de coação.

Assim, Eva Kaili esperava sair da prisão preventiva já esta terça-feira. Acontece que um greve dos serviços prisionais belgas acabou por afetar as diligências judiciais e obrigou a adiar a sessão marcada para hoje.

O tribunal decidiu reagendar a audiência de Eva Kaili e a reavaliação das medidas de coação apenas para quinta-feira da próxima semana, pelo que a eurodeputada terá que ficar na prisão até lá.

Ainda esta quarta-feira, a polícia belga havia divulgado que já apreendeu mais de 1,5 milhões de euros em numerário, encontrados nas casas dos envolvidos e outros locais de buscas. Nas imagens divulgadas, as autoridades mostraram maços de notas que estariam escondidos em malas, na casa de Kaili e também do pai desta, que também foi detido no âmbito do caso, mas foi entretanto já libertado.

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Hoje, soube-se também que Francesco Giorgi, companheiro de Kaili, vai permanecer detido, depois de ter comparecido perante um tribunal de Bruxelas, juntamente com o ex-deputado socialista italiano Antonio Panzeri.

Os advogados de defesa de Kaili dizem que a ex-vice-presidente do Parlamento Europeu não tem nada a ver com o dinheiro encontrado e que apenas Giorgi poderá explicar a existência dos sacos de notas.

O pai de Kaili também foi surpreendido com uma mala com 750 mil euros em numerário e outros 600.000 euros foram apreendidos na casa de Pier-Antonio Panzeri.

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O Qatar nega as acusações de corrupção, mas uma fonte judicial na Bélgica confirmou que este país está a ser considerado suspeito pelos investigadores belgas.

Perante este escândalo que ameaça a sua credibilidade, o Parlamento Europeu destituiu na terça-feira a eurodeputada grega do cargo de vice-presidente, por “má conduta grave”, numa votação aprovada quase por unanimidade, com 625 votos a favor em 628 votos expressos.

Este caso também está a provocar uma onda de choque na Grécia, país atingido por diversos casos de suspeita de corrupção, despertando a indignação da população.

As autoridades gregas já congelaram todos os bens da eurodeputada, enquanto muitos gregos expressaram a sua vergonha por verem Kaili, que foi apresentadora de programas num canal televisivo, envolvida num escândalo de dimensão europeia.

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