Erupções do Sol trazem uma “massa canibal” em direção à Terra a 3 milhões de quilómetros por hora: Esperam-se auroras boreais particularmente brilhantes

As duas erupções dirigidas à Terra fundiram-se numa “ejeção de massa coronal canibal” e vêm na nossa direção a 3.027.599 km/h

Francisco Laranjeira
Abril 1, 2022
8:10

As luzes do norte devem iluminar os céus do hemisfério norte após a deteção de 17 erupções solares que explodiram numa única mancha solar, duas das quais dirigem-se diretamente para a Terra.

As duas erupções dirigidas à Terra fundiram-se numa “ejeção de massa coronal canibal” e vêm na nossa direção a 3.027.599 km/h. Quando colidir com o campo magnético do nosso planeta, nas noites entre 30 de março e 1 de abril, vai criar uma poderosa tempestade geomagnética G3, segundo classificação do Centro de Previsão do Clima Espacial (SWPC) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica – as tempestades G3 são classificadas como fortes tempestades geomagnéticas, o que vai permitir vislumbrar diversas auroras boreais, em particular nos Estados Unidos.

A mancha solar, conhecida como ‘AR2975’, tem disparado explosões de partículas eletricamente carregadas desde a última segunda-feira – as manchas solares são áreas na superfície do sol nas quais os poderosos campos magnéticos, criados pelo fluxo de cargas elétricas, formam dobras antes de se romperem repentinamente. Essa libertação lança rajadas de radiação chamadas erupções solares.

Estas ejeções de massa coronal (CME) geralmente demoram entre 15 e 18 horas para chegar à Terra, segundo cálculos do SWPC. Quando chegam, o campo magnético da Terra é levemente comprimido pelas ondas de partículas altamente energéticas, que ondulam as linhas do campo magnético, libertando energia sob a forma de luz para criar as auroras coloridas nos céus noturnos.

Espera-se que a energia da tempestade solar seja absorvida inofensivamente pelo nosso campo magnético mas, ainda assim, grandes tempestades solares têm o potencial de causar estragos. As tempestades G3 podem causar “problemas intermitentes na navegação por satélite e navegação por rádio de baixa frequência”, segundo o SWPC – uma tempestade recente, em fevereiro, destruiu 40 satélites Starlink e os cientistas alertaram que uma tempestade maior tem o potencial para paralisar a internet em todo o mundo.

A maior tempestade solar já testemunhada foi o ‘Evento Carrington’ de 1859, que ‘trouxe’ para a Terra a energia equivalente a 10 mil milhões de bombas atómicas de 1 megatonelada – depois de embater na Terra, o poderoso fluxo de partículas solares deitou abaixo os sistemas de telegramas em todo o mundo e criou as auroras boreais mais brilhantes do que a luz da Lua cheia, que chegaram até ao Caribe.

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