A erupção do Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, em 15 de janeiro, não foi apenas o mais poderoso deste século mas também libertou ondas atmosférias com uma energia que não era vista há 139 anos – foi o som mais alto na Terra desde a erupção a 20 de maio de 1883.
Two papers in @ScienceMagazine confirm the atmospheric acoustic potency of the Tonga Hunga eruption in January, unparalleled in the modern era. Valuable update from @BBCAmos: https://t.co/xWs4nT0eoq Here’s supplementary video from the Matoza et al paper paired with @NOAA/@NASA https://t.co/0bZkXNF40G pic.twitter.com/SN8NFu8QiJ
— Andrew Revkin 🌎 ✍🏼 🪕 ☮️ (@Revkin) May 17, 2022
Um artigo, publicado na revista ‘Science’, sugeriu que uma onda atmosférica inesperada e anómala contribuiu para o tsunami, o que pode explicar por que as ondas atingiram locais duas horas mais cedo do que o modelo convencional de tsunamis previsto. O estrondo sónico da erupção foi ouvido no Alasca, a 6.200 quilómetros de distância.
When the Hunga Tonga-Hunga Ha’apai volcano erupted in January 2022, it affected the world… and space.
Continue a ler após a publicidadeContinue a ler após a publicidadeHurricane-speed winds and unusual electric currents formed in the ionosphere. https://t.co/VviDIFbFay
📷: NASA, NOAA, NESDIS pic.twitter.com/9jwLMvy1bT
— NASA (@NASA) May 10, 2022
“Este evento de ondas atmosféricas foi sem precedentes no registro geofísico moderno”, revelou o principal autor Robin Matoz, professor associado do Departamento de Ciências da Terra da UC Santa Barbara, nos Estados Unidos. As ondas produzidas pela erupção circundaram o planeta numa direção quatro vezes e na outra três vezes. Em particular, a equipa recolheu dados sobre a chamada ‘onda Lamb’, uma onda de pressão longitudinal de frequência tão baixa que exige que o efeito da gravidade seja levado em consideração.
A equipa mediu que a ‘onda Lamb’ movia-se a mais de 1.100 quilómetros por hora e atingiu uma altitude de 450 quilómetros, já na ionosfera, o que é mais alto do que a órbita da Estação Espacial Internacional. “As ondas atmosféricas foram registadas globalmente numa ampla faixa de frequência”, disse o coautor David Fee, do Instituto Geofísico Fairbanks da Universidade do Alasca. “E estudando este notável conjunto de dados, entenderemos melhor a geração, propagação e gravação de ondas acústicas e atmosféricas.”
“Isso tem implicações na monitorização de explosões nucleares, vulcões, terramotos e uma variedade de outros fenómenos”, refletiu Fee. “A nossa esperança é que seremos mais capazes de monitorizar erupções vulcânicas e tsunamis, entendendo as ondas atmosféricas dessa erupção.”
Um outro estudo concentrou-se principalmente em como o tsunami foi diferente das expectativas. Tsunamis de erupções vulcânicas submarinas são criados pelo deslocamento da água devido à deformação da crosta do fundo do mar e ondas de pressão atmosférica. Mas a ‘onda Lamb’ pareceu desempenhar um papel significativo nesse maremoto mortal, fazendo com que chegasse muito mais cedo do que o esperado, o que levou à recomendação dos investigadores que os modelos futuros levem em consideração esse cenário específico, permitindo uma melhor previsão de tsunamis e a capacidade de salvar vidas.
O tsunami Hunga Tonga-Hunga Ha’apai feriu 19 pessoas e matou pelo menos seis em todo o Pacífico. Várias pessoas continuam desaparecidas.














