ERSE rejeita suspeitas sobre mercado dos combustíveis e descarta limitar preços

A fiscalidade é apontada como uma das principais razões para Portugal apresentar preços finais superiores aos de Espanha.

Executive Digest

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos concluiu que não existem indícios suficientes para justificar a imposição de preços ou margens máximas no mercado português dos combustíveis. O regulador considera que a evolução dos preços nas bombas tem sido determinada sobretudo pelos custos internacionais dos produtos refinados.

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O estudo foi pedido pela ministra do Ambiente e Energia a 15 de julho e analisou a formação e a evolução dos preços dos combustíveis rodoviários em Portugal.

A ERSE alerta que comparar diretamente os preços nas bombas com a cotação do Brent pode conduzir a conclusões erradas. O regulador considera mais adequado acompanhar as cotações internacionais da gasolina e do gasóleo já refinados, que refletem fatores como disponibilidade das refinarias, níveis de reservas, fluxos comerciais e perturbações geopolíticas ou logísticas.

Regulador diz não ter encontrado irregularidades

A análise aos critérios previstos no Regulamento de Supervisão do Sistema Petrolífero Nacional não encontrou elementos que permitam concluir pela existência de irregularidades no funcionamento do mercado.

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A ERSE reconhece alguma concentração no aprovisionamento grossista, mas considera que, no retalho, existe diversidade de operadores, modelos comerciais e níveis de preços.

Uma das questões avaliadas foi a perceção de que os combustíveis sobem rapidamente quando as cotações aumentam, mas demoram mais a descer.

ERSE analisou 186 semanas de preços

Para testar o chamado fenómeno “foguete-pluma”, o regulador analisou 186 semanas, entre 2 de janeiro de 2023 e 26 de julho de 2026.

A conclusão é que o ajustamento começa praticamente de imediato. Entre 96% e 97% da resposta estimada até ao final de cada semana já estava refletida nos preços à segunda-feira, tanto nas subidas como nas descidas.

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No gasóleo, existe uma reação inicial ligeiramente mais forte quando as cotações sobem. Uma subida de dez cêntimos por litro está associada, na primeira semana, a um aumento de 8,52 cêntimos no preço de pórtico, enquanto uma descida equivalente representa uma redução de 7,76 cêntimos.

A diferença diminui com o tempo e, ao fim de quatro semanas, passa para 0,39 cêntimos por litro, deixando de ser estatisticamente demonstrável.

Na gasolina não há diferença significativa

Na gasolina 95 simples, a ERSE não encontrou diferenças estatisticamente significativas entre subidas e descidas.

Na primeira semana, uma subida de dez cêntimos na cotação internacional está associada a um aumento de 7,93 cêntimos no preço de pórtico, enquanto uma descida equivalente representa uma redução de 7,65 cêntimos.

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A ERSE considera, por isso, que a ideia generalizada de que os combustíveis sobem depressa e descem lentamente não encontra explicação no funcionamento global do mercado português.

Petrolíferas continuam mais caras

O estudo conclui ainda que as companhias petrolíferas apresentam, em média, preços superiores aos praticados pelos operadores low-cost e pelos hipermercados.

Entre março e abril de 2026, os preços médios da gasolina nas petrolíferas praticamente coincidiram com o Preço Eficiente da ERSE, enquanto nos operadores low-cost e nos hipermercados ficaram cerca de 13 cêntimos por litro abaixo.

Impostos explicam diferença entre Portugal e Espanha

A fiscalidade é apontada como uma das principais razões para Portugal apresentar preços finais superiores aos de Espanha.

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No segundo trimestre de 2026, Portugal apresentou preços antes de impostos inferiores aos espanhóis, tanto na gasolina como no gasóleo, mas preços finais superiores.

O regulador atribui essa diferença ao peso dos impostos e às medidas temporárias de redução da tributação adotadas em Espanha.

Em vez de recomendar margens máximas, a ERSE propõe harmonizar os referenciais divulgados pela própria entidade e pela ENSE, rever a metodologia dos preços com descontos da DGEG e reforçar o regime sancionatório. Em situações excecionais, admite ainda apoios temporários dirigidos ao transporte rodoviário profissional.

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