O preço médio da eletricidade em Portugal, entre abril e junho (cerca de 23,26 euros/MWh) é inferior em aproximadamente 33% quando comparado com os três primeiros meses do ano. A quebra relativamente a 2019 (totalidade do ano) excede os 50%, segundo dados da ERSE – Entidade Reguladora do Serviços Energéticos, divulgados esta sexta-feira.
A análise da evolução do preço permite constatar um preço médio entre abril e junho de 2020 (período integralmente exposto aos impactes da pandemia) abaixo do que se registou nos períodos precedentes. Em junho registou-se uma recuperação do preço para valores inclusivamente acima do registado em março de 2020.
Recorde-se que em março e abril últimos a ERSE aprovou Medidas Extraordinárias no Setor Energético por Emergência Epidemiológica Covid-19, com um foco especial nos consumidores.
O principal objetivo das medidas aprovadas foi permitir que os consumidores em situação de redução de rendimentos ou os clientes empresariais com redução da sua atividade tivessem proteção contra interrupções e mecanismos para reduzir ou fracionar custos.
Esta abordagem, permitiu também mitigar os efeitos de incumprimentos e/ou cessação de atividade, com potencial impacte mais adverso sobre os agentes do setor e, com isso, colocando em risco a própria sustentabilidade do Sistema Elétrico Nacional (SEN) e do Sistema de Nacional de Gás Natural (SNGN). Outras medidas, como o adiamento
ou flexibilização de prazos e obrigações regulamentares na vigência da situação de emergência são, por natureza, menos tangíveis.
Comercializadores
Na atividade dos comercializadores de eletricidade, “as quebras registadas nos preços médio refletem-se positivamente na compra diretamente exposta a mercado diário (spot)”, aferiu a ERSE. Mas, para aqueles que tenham de desfazer posições previamente adquiridas em mercado a prazo (por força da redução da procura), tal significa uma perda de valor unitário correspondente à diferença entre os preços de compra (a prazo) e de venda (em spot).
A evolução registada no preço de mercado implica um agravamento das condições de sobrecusto da produção com tarifa garantida (renováveis e CAE não cessados), que atinge um valor acumulado em junho que excede os 25 euros/MWh (diferença entre um preço médio até junho de 2020 de cerca de 29 euros/MWh e um preço considerado em 2019 nunca
inferior a 54 euros/MWh).




