Erdogan ameaça intervenção militar e tensão entre Turquia e Israel dispara

Líder turco afirmou que o país poderá agir de forma semelhante a operações anteriores em cenários como Nagorno-Karabakh ou a Líbia, reforçando a ideia de que Ancara está preparada para assumir um papel mais ativo no atual conflito no Médio Oriente

Francisco Laranjeira

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, voltou a escalar o tom contra Israel ao admitir uma possível intervenção militar, num discurso proferido numa conferência internacional em Istambul.

O líder turco afirmou que o país poderá agir de forma semelhante a operações anteriores em cenários como Nagorno-Karabakh ou a Líbia, reforçando a ideia de que Ancara está preparada para assumir um papel mais ativo no atual conflito no Médio Oriente.

Acusações diretas e pressão militar

Durante a intervenção, Erdoğan acusou Israel de violar normas humanitárias na Palestina e no Líbano, defendendo que a Turquia deve reforçar as suas capacidades militares como forma de dissuasão.

O presidente criticou ainda uma recente lei aprovada pelo Parlamento israelita que prevê a pena de morte para terroristas, considerando-a um instrumento de pressão sobre prisioneiros palestinianos.

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Resposta dura de Israel

A reação israelita não tardou. O ministro do Património, Amichay Eliyahu, classificou Erdoğan como um “ditador megalómano” com ambições imperialistas.

O governante israelita acusou ainda Ancara de hipocrisia, apontando para a presença militar turca no norte de Chipre e para as operações contra populações curdas.

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No mesmo tom, Eliyahu anunciou que irá propor ao Governo israelita o corte total de relações diplomáticas com a Turquia, numa escalada sem precedentes nas relações entre os dois países.

Troca de acusações intensifica crise

A tensão agravou-se também nas redes sociais, com trocas de acusações entre responsáveis políticos dos dois lados.

Ministros israelitas como Israel Katz e Itamar Ben-Gvir chegaram a descrever Erdoğan como um “tigre de papel”, enquanto representantes turcos compararam Benjamin Netanyahu a Adolf Hitler.

Origem da escalada

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O agravamento das relações surge após uma decisão judicial na Turquia que visa levar a julgamento Netanyahu e dezenas de responsáveis israelitas, relacionados com a interceção da flotilha Sumud em outubro de 2025.

O Ministério Público de Istambul pretende penas de prisão elevadas para líderes israelitas, acusando-os de responsabilidade numa operação militar em águas internacionais.

Crise diplomática em crescendo

A sucessão de ameaças, insultos e iniciativas judiciais está a empurrar as relações entre Turquia e Israel para um dos momentos mais tensos das últimas décadas, com risco de impacto direto na estabilidade regional.

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